Segunda-feira, 15 de julho de 2024

Quem é Frederick Wassef, “anjo” dos Bolsonaro que comprou Rolex nos Estados Unidos e hospedou Queiroz

Na noite da última quarta-feira, agentes do setor de inteligência da Polícia Federal encontraram Frederick Wassef jantando em uma churrascaria, num shopping center de São Paulo.

Alvo de busca pessoal autorizada pela Justiça, o braço direito do ex-presidente Jair Bolsonaro, descrito como “anjo” por membros do entorno do ex-presidente, foi abordado, teve quatro aparelhos de celular apreendidos e o carro revistado.

Quase três anos após virar notícia por abrigar José Carlos de Queiroz — ex-chefe de gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e pivô do escândalo das “rachadinhas” —, Wassef volta à tona após assumir ter pago US$ 50 mil (cerca de R$ 300 mil) para recomprar um relógio Rolex de luxo vendido irregularmente, segundo a Polícia Federal, por assessores de Bolsonaro nos Estados Unidos.

A PF deflagrou na última sexta-feira (11) uma operação contra pessoas próximas ao ex-presidente, incluindo militares e o advogado Wassef, sob suspeita de participação em um esquema de venda de presentes recebidos por Bolsonaro em compromissos oficiais.

Naquele dia, Wassef não foi localizado pela polícia, que cumpria mandados de busca e apreensão. A investigação mira supostos crimes de peculato e lavagem de capitais.

Sem eleição

Nascido em São Paulo, o criminalista Wassef foi advogado de Jair Bolsonaro e de seu filho, Flavio Bolsonaro.

Amigo íntimo da família, é considerado um dos conselheiros mais influentes do ex-presidente em assuntos jurídicos — mais até que alguns ministros que despacharam no Palácio do Planalto em seu mandato.

Era tratado por Queiroz e familiares de Bolsonaro como “anjo” — nome que usou em campanha para deputado federal nas últimas eleições.

Em sua primeira publicação no Instagram, quando anunciou sua candidatura, Wassef escreveu: “O anjo chegou”. Também usou o termo em publicações de apoio à reeleição de Jair Bolsonaro — mais tarde derrotado por Lula.

Com R$ 14 milhões em patrimônio declarado à época, Wassef teve apenas 3.628 e também não se elegeu.

Contradições

Tanto no caso da venda do relógio de centenas de milhares de reais, quanto no episódio em que o homem conhecido como “pivô das rachadinhas” foi encontrado em um imóvel de sua propriedade, Wassef deu declarações descritas como contraditórias.

“Jamais soube da existência de joias ou quaisquer outros presentes recebidos. Nunca vendi nenhuma joia, ofereci ou tive posse. Nunca participei de nenhuma tratativa, e nem auxiliei nenhuma venda, nem de forma direta ou indireta”, disse, em nota à imprensa de madrugada.

Na terça-feira (15), no entanto, Wassef convocou a imprensa e assumiu ter comprado o relógio Rolex para “cumprir decisão do Tribunal de Contas da União (TCU)”.

Três anos antes, em outubro de 2019, o advogado respondeu com ironia a uma pergunta sobre o paradeiro de Queiroz, que havia desaparecido e era procurado por investigadores.

“Como é que vou saber (sobre o paradeiro de Queiroz)? Ele tem um CPF e eu tenho outro (…) Não sei onde está, não tenho informação”, disse então Wassef ao jornal O Estado de S. Paulo.

Em operação da PF em junho do ano seguinte, Queiroz foi encontrado escondido em uma casa no bairro Jardim dos Pinheiros, em Atibaia (SP), pertencente a Wassef.

Amigo antigo

O advogado se tornou amigo do ex-presidente da República e de sua família ainda em 2014, e gosta de dizer que foi a primeira pessoa a dizer a Bolsonaro que ele deveria concorrer à Presidência da República, quando esta ainda era uma possibilidade distante para o então deputado federal.

“Eu não só fui o primeiro a acreditar no Bolsonaro, como fui o primeiro a colocar na cabeça dele a ideia de concorrer à Presidência”, disse ele. “Eu tinha acesso à Lava Jato, sabia que iriam ser todos presos. Falei para ele: o senhor vai ficar sozinho e sem concorrência no mercado. Eu previ o futuro”, comenta.

Na época, Frederick Wassef era casado com a empresária Maria Cristina Boner Leo — ela se tornou amiga de Michelle Bolsonaro.

Apesar de nunca ter tido cargo no governo federal, Wassef era frequentador assíduo do Palácio do Planalto e participava de solenidades importantes, como a posse de ministros.

Costumava ser visto em “áreas vip” de eventos do governo Bolsonaro, ao lado de figuras importantes como a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o então ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).

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