Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de outubro de 2026
Presidente pela quarta vez, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encontrará um Congresso mais desafiador a partir de 2027. O crescimento do PL, partido do candidato derrotado Flávio Bolsonaro, e o apoio de partidos de centro ao bolsonarista no segundo turno devem dificultar a governabilidade do petista.
Governabilidade é a capacidade de um governo de aprovar e implementar propostas e políticas públicas. Para avançar no Congresso, Lula precisará negociar com outras legendas, já que sua base de apoio terá menos parlamentares.
PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo declararam apoio a Flávio. Juntos, os partidos somam 245 deputados e 51 senadores. Parte do MDB também apoiou o candidato bolsonarista, embora políticos do Norte e Nordeste tenham ficado ao lado de Lula.
O PL, por sua vez, contará com 121 deputados e 29 senadores. Já o grupo de partidos aliados ao presidente reúne 124 deputados e 17 senadores: PT (70 deputados e 9 senadores), PSB (15 e 4), PDT (6 e 3), PSOL (14 deputados), Rede (1 deputado e 1 senador), PV (7 deputados) e PCdoB (11 deputados).
Propostas
Entre as propostas que Lula pretende avançar está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê transporte público gratuito. Promessa da reta final da campanha, a medida dependerá de apoio parlamentar para sair do papel.
Nos últimos meses, o presidente se reaproximou dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A aproximação contribuiu para vitórias legislativas, como a aprovação do fim da taxa das blusinhas e do perdão de dívidas dos Microempreendedores Individuais (MEIs).
Outra pauta de destaque foi a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, com duas folgas remuneradas por semana, apresentada como uma das principais bandeiras da campanha no segundo turno.
Manter o apoio das lideranças do Congresso e garantir aliados em posições estratégicas será fundamental. Em fevereiro de 2027, no início da nova Legislatura, deputados e senadores eleitos tomarão posse e escolherão os presidentes das duas Casas.
Comando
O PL já manifestou interesse em comandar tanto a Câmara quanto o Senado. A intenção, porém, desagradou ao Centrão, que perdeu cadeiras para o partido nas eleições.
Na Câmara, Hugo Motta articula sua reeleição e já conta com o apoio de dez partidos do Centrão e de três legendas de esquerda: PDT, PSB e PV. O PT também sinalizou apoio.
Se Motta permanecer no cargo, o PL poderá perder espaço em posições estratégicas, como a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das mais importantes da Casa. Para conquistar influência, o partido terá de negociar com outras legendas.
Prioridade
No Senado, a disputa é mais complexa. A Casa é considerada prioritária para o PL, especialmente porque cabe aos senadores decidir sobre a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão inicial depende do presidente do Senado.
Alcolumbre já descartou abrir processos contra ministros do Supremo. Por isso, o PL pretende disputar a presidência com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
Entretanto, parlamentares avaliam que o partido antecipou as articulações e agiu como se a disputa já estivesse decidida. Alcolumbre também busca a reeleição e aposta na divisão dos votos do próprio PL, já que alguns integrantes da bancada fazem parte de seu grupo político.
Aliados estimam que ele poderá reunir entre 44 e 49 votos. O cenário indica que, mesmo com o crescimento do PL, a disputa pelo comando do Congresso continuará dependendo de negociações e alianças políticas. (Com informações do portal g1)