Sábado, 13 de julho de 2024

Robô para dirigir carros e avatar no balcão de lojas: como o Japão está enfrentando a falta de trabalhadores

O Japão está enfrentando uma escassez de mão de obra em atividades básicas, como motoristas, vendedores e recepcionistas, o que está levando governo e empresas a inovarem na “contratação” de funcionários. Em vez de trabalhadores de carne e osso, avatares e robôs é que têm preenchido as vagas, mostra reportagem do jornal britânico Financial Times.

De acordo com dados do Recruit Works Institute (RWI), haverá uma lacuna de 11 milhões de trabalhadores até 2040, em boa parte devido ao envelhecimento da população. O número de pessoas com idade acima de 65 anos – que já soma quase 30% do total de habitantes do país – deverá atingir seu pico em 2042.

“A escassez de mão de obra no Japão está ocorrendo independentemente de a economia estar indo bem ou não”, disse Shoto Furuya, pesquisador-chefe do Recruit Works Institute, ao FT, ressaltando que o país está começando a ficar sem serviços essenciais dos quais depende para manter o estilo de vida das pessoas e a infraestrutura social.

A reportagem do FT aponta que, na última década, o Japão tem se apoiado em mulheres e trabalhadores idosos para preencher as vagas necessárias, já que há rigorosas restrições à contratação de trabalhadores estrangeiros.

No entanto, a partir deste ano, essa estratégia não será mais suficiente, e a força de trabalho do país começará a diminuir, segundo Naruhisa Nakagawa, fundador do fundo de hedge Caygan Capital.

Oportunidades de negócios

A crise está sendo vista por alguns como uma oportunidade de negócio. É o caso de Daniel Blank, CEO da start-up Toggle, citado na reportagem do FT.

Blank viajou de Nova York para o Japão no ano passado para promover o uso de robôs industriais para automatizar a montagem de barras de reforço, o processo mais intensivo em mão de obra para empresas de construção civil, um dos setores mais atingidos pela escassez de trabalhadores.

O serviço de transporte também vem sendo afetado. As cerca de 4 milhões de máquinas de venda automática do Japão exigem um exército de motoristas de caminhão para mantê-las abastecidas. Cada vez mais, os intervalos entre as recargas estão aumentando, especialmente nas áreas rurais e até mesmo nas grandes cidades. O setor está correndo para se adaptar.

Um exemplo é a fabricante de biscoitos Lotte, que, para atenuar a falta de motoristas de caminhão devido às novas regras de horas extras, vai passar a fazer as entregas de seus produtos de trem em vez de usar caminhões.

Avatar

A escassez de mão de obra forçou os varejistas e as lojas de conveniência japonesas, conhecidas como combini, a reduzir horários e serviços. E, por que não, lançar mão da tecnologia para aliviar o problema, mostra a reportagem o Financial Times.

Em uma pequena loja de conveniência no centro de Tóquio, que vende de pasta de dente a sanduíches de ovo e meias, um “’funcionário”’ sorridente recebe os clientes na porta. Amável e animado, ele oferece saudações e conselhos a partir de uma tela de 1,80 m. O avatar recém-instalado é controlado remotamente por um funcionário da cadeia de varejo Lawsons e faz parte de um teste com a Avita, a empresa por trás da tecnologia.

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