Sábado, 09 de maio de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 9 de maio de 2026
Rússia e Ucrânia trocaram nesse sábado (9) acusações de violação do cessar-fogo horas após o acordo entrar em vigor. A pausa de três dias foi anunciada na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Estado-Maior ucraniano, órgão central de administração militar do país, afirmou que “Desde o início do dia, o número de ataques perpetrados pelo agressor chegou a 51”, segundo a AFP.
Do outro lado, o Ministério da Defesa russo disse: “Apesar da declaração de cessar-fogo, grupos armados ucranianos lançaram ataques usando drones e artilharia contra as posições de nossas tropas”.
“Eu gostaria que isso parasse. Rússia-Ucrânia — é a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de qualidade de vida. Vinte e cinco mil jovens soldados todos os meses. É uma loucura”, disse Trump a repórteres na sexta. Ele acrescentou que “gostaria de ver uma grande prorrogação” da trégua entre os dois países.
A Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022, havia alertado que qualquer tentativa de Kiev de interromper o evento de sábado resultaria em um ataque maciço, com mísseis contra a capital ucraniana. Moscou disse a diplomatas estrangeiros que eles deveriam evacuar suas equipes em Kiev caso tal ataque ocorresse.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy emitiu um decreto irônico “permitindo” que o desfile militar russo de 9 de maio prosseguisse e afirmando que as armas ucranianas não teriam como alvo a Praça Vermelha.
A segurança era reforçada em Moscou. Imagens da Reuters mostravam soldados armados em cima de caminhonetes e ruas bloqueadas ao redor do centro da capital, que, juntamente com a região metropolitana, tem uma população de 22 milhões de habitantes.
Desfile militar
Também neste sábado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, usou o discurso anual do Dia da Vitória, comemorado em formato reduzido no país, para justificar a guerra com a Ucrânia e atacar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
“O grande feito da geração vitoriosa inspira os soldados que hoje executam as tarefas da operação militar especial. […] Eles estão enfrentando uma força agressiva, armada e apoiada por todo o bloco da Otan. E, apesar disso, nossos heróis avançam”, disse Putin, em um discurso que durou oito minutos.
“Estou firmemente convencido de que nossa causa é justa. Estamos juntos. A vitória foi nossa, e será para sempre”, acrescentou o dirigente.
O desfile marca o feriado nacional mais reverenciado na Rússia – momento para celebrar a vitória da União Soviética contra a Alemanha nazista e homenagear os 27 milhões de cidadãos soviéticos, incluindo muitos da Ucrânia, que morreram.
O evento – que outrora já foi usado para exibir o vasto poderio militar da Rússia, incluindo seus mísseis balísticos intercontinentais com capacidade nuclear – não contou com a exibição de armamentos e outros equipamentos militares desfilando pelas ruas de paralelepípedos da Praça Vermelha.
As autoridades russas também cortaram a internet do centro de Moscou e, segundo a AFP, muitas ruas da capital estavam quase vazias. Entre os moradores, é baixa a esperança de que a paz volte logo entre os dois países.
O fim do conflito “não será em breve, por mais que todos queiramos a paz”, diz à AFP Elena, uma economista de 36 anos que prefere não informar seu sobrenome e está principalmente irritada com o corte da internet. “Eu preciso dela, e não tem.”
O dia 9 de maio é “um dia como qualquer outro”, afirma Daniil, de 26 anos, à AFP a caminho da academia. Perguntado se essa breve trégua é um prelúdio para a paz, responde com um seco “não”. (Fonte: g1 e Times Brasil)