Domingo, 08 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de março de 2026
A Rússia está fornecendo ao Irã informações sobre alvos americanos no Oriente Médio para Teerã realizar seus ataques retaliatórios, à medida que os Estados Unidos ampliam sua ofensiva contra a República Islâmica e a guerra escala na região. A informação, revelada pelo jornal americano Washington Post na sexta-feira, indica que outro grande adversário dos EUA está participando — mesmo que indiretamente — da guerra.
Horas depois do início dos ataques contra o Irã, no dia 28, a Chancelaria russa condenou o conflito e o classificou como “ato de agressão armada pré-planejado e não provocado” contra um Estado soberano. Um dia depois, chamou a morte do aiatolá Ali Khamenei de “assassinato cínico”.
Desde o início da guerra, a Rússia tem repassado ao Irã a localização de ativos militares dos EUA, incluindo navios de guerra e aeronaves, segundo o Post, que citou três autoridades, que falaram sob condição de anonimato, familiarizadas com o plano.
“Parece ser um esforço bastante abrangente”, afirmou uma das fontes, acrescentado que a própria capacidade das Forças Armadas iranianas de localizar os alvos americanas foi prejudicada em menos de uma semana de combates.
No último domingo, seis soldados americanos foram mortos e vários outros ficaram feridos em um ataque de drones iranianos contra uma base dos EUA no Kuwait. Após os ataques iniciais, o Irã retaliou, disparando milhares de drones e centenas de mísseis contra posições militares americanas, inclusive embaixadas.
Segundo analistas, o compartilhamento de informações entre Moscou e Teerã justifica o padrão de ataques retaliatórios do Irã contra as forças americanas, incluindo infraestrutura de comando e controle, radares e estruturas temporárias, como aconteceu no Kuwait. A estação da CIA na embaixada dos EUA, em Riad, capital da Arábia Saudita, também foi alvo de ataques nos últimos dias.
“O regime iraniano está sendo completamente esmagado. Sua capacidade de retaliação com mísseis balísticos está diminuindo a cada dia, sua Marinha está sendo dizimada, sua capacidade produtiva está sendo demolida e seus aliados mal oferecem resistência”, disse Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca, sem comentar sobre qualquer ajuda russa ao Irã.
Questionado esta semana sobre sua mensagem para a Rússia e a China, que estão entre os apoiadores mais poderosos do Irã, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que não tinha nenhuma e que “eles não são realmente um fator aqui”.
Ao Post, Nicole Grajewski, que estuda a cooperação do Irã com a Rússia no Centro Belfer da Escola Kennedy de Harvard, afirmou que houve um alto nível de “sofisticação” nos ataques retaliatórios iranianos, tanto em relação aos alvos escolhidos por Teerã quanto à sua capacidade, em alguns casos, de sobrepujar as defesas dos EUA e de seus aliados.
“Eles estão conseguindo ultrapassar as defesas aéreas”, disse ela, observando que a qualidade dos ataques do Irã parecia ter melhorado até mesmo em comparação com a guerra de 12 dias com Israel, em junho do ano passado.
A assistência da Rússia reorganiza a forma como vários países têm se envolvido em guerras desde a invasão russa na Ucrânia em 2022. Ao longo desse conflito, adversários dos EUA, incluindo Irã, China e Coreia do Norte, forneceram à Rússia ajuda militar direta ou apoio material para a vasta indústria de defesa de Moscou.
O Irã tem sido um dos principais apoiadores da Rússia durante a guerra na Ucrânia, compartilhando a tecnologia para produzir drones de ataque unidirecionais baratos, que foram repetidamente usados para sobrecarregar as defesas aéreas de Kiev e esgotar os estoques ocidentais de interceptores doados para proteger as cidades ucranianas.