Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 21 de outubro de 2026
O influenciador digital e empresário Pablo Marçal (PRTB) ajudou a treinar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o debate da TV Bandeirantes no último domingo (18), em São Paulo, e o orientou a irritar e desestabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Marçal direcionou Flávio a caminhar e gesticular atrás de Lula enquanto o petista falava, para fazer com que os apoiadores do senador do PL na plateia do debate se manifestassem contra o presidente. O ex-coach também incentivou Flávio a fazer ataques pessoais contra Lula e contra a familia do presidente.
Cotado para ocupar o eventual “Ministério da Prosperidade” caso Flávio seja eleito, Marçal buscou mostrar sua proximidade com o presidenciável. O influenciador ficou conhecido na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, quando fez ataques pessoais contra o apresentador José Luiz Datena, então filiado ao PSDB, e levou uma cadeirada durante um debate.
Em uma das campanhas mais agressivas da cidade, o então candidato do PRTB promoveu um “campeonato de cortes” de vídeos na internet, para disseminar notícias falsas, e jogou sujo contra Guilherme Boulos (Psol) na reta final do primeiro turno ao divulgar laudo falso, assinado por um médico que já tinha morrido, para tentar associar o adversário às drogas. Marçal ficou inelegível pela Justiça Eleitoral.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também participou do treinamento de Flávio contra Lula, ao lado do marqueteiro da campanha, Duda Lima. A atuação de Marçal e Nikolas nas redes sociais contra Lula tem gerado questionamentos jurídicos da campanha do presidente.
O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Boas Cueva, determinou na segunda-feira (19) que Nikolas e Marçal não voltem a divulgar conteúdos digitais que já foram alvos de decisões judiciais de remoção em outros seis processos na Justiça Eleitoral.
O ministro também determinou que a Meta e o X impeçam o impulsionamento pago de conteúdos das contas dos dois e não lhes deem tratamento privilegiado na distribuição de propaganda eleitoral até as 23h59 de 25 de outubro, dia do segundo turno, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. As publicações sem impulsionamento seguem válidas.
Na decisão, Cueva considerou que a proximidade com o segundo turno justifica impedir novas publicações.
As empresas deverão preservar os dados sobre as publicações citadas na ação e apresentar, em 24 horas, esclarecimentos sobre o alcance e a recomendação desses perfis. A decisão será submetida ao referendo do plenário do TSE.
O ministro atendeu um pedido de urgência em uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE), apresentada pela campanha de Lula à Presidência. A equipe jurídica do petista alegou que Nikolas e Marçal seriam os principais difusores da campanha de Flávio fora dos canais oficiais e estariam divulgação desinformação para beneficiar o candidato do PL.
Na ação, a campanha de Lula apresenta uma suposta republicação, por Marçal, de uma montagem já proibida e a divulgação, por Nikolas, de uma captura de tela atribuída à deputada eleita Ana Elisa (PT), apontada como falsa. Também apresentam um levantamento mostrando que o alcance das publicações do parlamentar seria desproporcionalmente maior do que de outros.
Ao analisar os pedidos, Cueva negou a suspensão generalizada dos pagamentos que os dois recebem pela monetização de suas contas e a solicitação de relatórios diários. Também rejeitou o pedido para impedir a oferta de dinheiro ou prêmios em troca de propaganda eleitoral, por entender que a prática já é proibida e não foram apontadas ações específicas que justificassem a medida. (Com informações do Valor Econômico)