Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 17 de setembro de 2026
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, adiou a análise do processo que avaliaria as alegações de Alexandre de Moraes sobre a conduta de André Mendonça na relatoria dos casos Master e INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O julgamento, que estava previsto para o dia 23 de setembro, ainda não tem nova data definida.
O adiamento era considerado uma medida lógica, uma vez que não seria possível julgar a conduta de André Mendonça sem antes resolver a situação envolvendo Alexandre de Moraes.
A decisão de Fachin é interpretada nos bastidores do STF como uma tentativa de sinalizar ao grupo mais alinhado a Alexandre de Moraes, ao mesmo tempo em que busca organizar o tribunal diante de uma crise interna sem precedentes recentes.
Crise tende a se aprofundar, segundo fontes
Apesar dos gestos de Fachin, fontes ouvidas indicam que não há sinalizações de que a crise vá arrefecer em breve. Pelo contrário, a troca pública de ofensas entre ministros — por meio de publicações em redes sociais, notas de gabinete e levantamentos de sigilo — aponta para um cenário de escalada.
“Não há nenhuma sinalização de que deve arrefecer, pelo contrário”, afirmou o analista Teo Cury. Segundo ele, um ministro teria dito que “a tendência é que só piore”.
A situação chegou ao ponto de inviabilizar os trabalhos do tribunal. A sessão prevista para a tarde desta quinta-feira (17) foi cancelada, e Fachin teria iniciado conversas com ministros para tentar contornar o impasse.
A última vez que o presidente do STF cancelou uma sessão ordinária, na semana anterior, ele também passou a dialogar com os colegas e tomou uma série de providências, entre elas a retirada da relatoria do inquérito das fake news de Alexandre de Moraes.
Articulação de Fachin encontra pouca adesão
A tentativa de Fachin de resolver a crise internamente encontra resistência. De acordo com apuração da CNN Brasil, a articulação do presidente do STF “não tem quase nenhuma aderência” entre os demais ministros.
A estratégia aparente seria empurrar as decisões mais delicadas para depois das eleições municipais, mas há dúvidas sobre se haverá ambiente político favorável para votar os temas nesse período.