Quarta-feira, 08 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 7 de abril de 2026
A rotina moderna mudou a forma como o corpo humano se movimenta. Trabalho em frente ao computador, horas no celular e deslocamentos cada vez mais automatizados reduziram o esforço físico diário de grande parte da população.
Esse novo estilo de vida trouxe conforto e praticidade, mas também levantou um alerta importante para a saúde. O organismo foi feito para se mexer com frequência. Quando isso não acontece, os impactos vão além do cansaço e podem atingir diretamente o coração.
O que acontece com o coração quando o corpo fica parado por muito tempo
Ficar muitas horas sentado ou com pouca movimentação interfere no funcionamento do metabolismo. O gasto de energia diminui, o controle da glicose piora e o acúmulo de gordura corporal tende a aumentar. Esses fatores criam um ambiente propício para alterações que afetam o sistema cardiovascular.
O sedentarismo está ligado a mecanismos como:
Resistência à insulina
Quando o corpo se movimenta pouco, as células passam a responder pior à insulina. Isso dificulta o controle do açúcar no sangue e aumenta o risco de diabetes tipo 2, condição que sobrecarrega o coração ao longo do tempo.
Inflamação de baixo grau
A inatividade favorece um estado inflamatório constante, mesmo que silencioso. Essa inflamação contribui para o desgaste dos vasos sanguíneos e para o desenvolvimento de placas de gordura nas artérias.
Disfunção endotelial
O endotélio é a camada interna dos vasos sanguíneos. A falta de movimento prejudica seu funcionamento, comprometendo a circulação e facilitando o surgimento de hipertensão e doença cardíaca.
Dados epidemiológicos mostram que cerca de 47 por cento dos adultos brasileiros são sedentários. Entre adolescentes e jovens, o número é ainda mais alto, chegando a aproximadamente 84 por cento que não atingem níveis adequados de atividade física. Esse cenário coloca o país entre os mais inativos da América Latina.
Estudos robustos associam a inatividade física a maior risco de: Doença cardiovascular; Pressão alta; Diabetes tipo 2; Alguns tipos de câncer.
O impacto não é apenas físico. A ausência de atividade regular também está relacionada a mais sintomas de ansiedade, depressão e pior qualidade do sono, fatores que indiretamente influenciam a saúde do coração.
Quanto movimento já é suficiente para proteger o coração
Muitas pessoas acreditam que apenas exercícios intensos trazem benefícios. No entanto, não é necessário se tornar atleta para reduzir os riscos. A regularidade é mais importante do que a intensidade extrema.
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada para adultos. Isso pode ser dividido em cerca de 30 minutos por dia, cinco vezes por semana.
Atividades simples já ajudam, como: Caminhadas em ritmo acelerado; Pedalar; Dançar; Praticar esportes recreativos.
Pequenas mudanças no cotidiano também fazem diferença. Subir escadas em vez de usar elevador, levantar se a cada hora para caminhar alguns minutos e reduzir o tempo total sentado já contribuem para melhorar a circulação e diminuir a sobrecarga no coração.
Do ponto de vista fisiológico, o movimento atua como um regulador do metabolismo. Ele melhora a sensibilidade à insulina, estimula a circulação, fortalece músculos e ossos e ajuda a manter a autonomia ao longo do envelhecimento.
O corpo humano não foi projetado para permanecer inativo por longos períodos. Manter se em movimento não é apenas uma escolha estética ou de estilo de vida, mas uma necessidade biológica para preservar a saúde do coração e prevenir doenças crônicas ao longo dos anos.