Sábado, 05 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 5 de setembro de 2026

A intercooperação Soli3, formada por Cotrijal, Cotripal e Cotrisal, firmou parceria com o Banrisul para o financiamento de R$ 200 milhões destinados à implantação das estruturas de armazenagem do complexo industrial em construção em Cruz Alta (RS). O empreendimento, avaliado em R$ 1,25 bilhão, terá como foco a produção de biodiesel, óleo degomado, farelo de soja e casca peletizada, consolidando o protagonismo do cooperativismo gaúcho na agregação de valor à soja. A assinatura do contrato durante a Expointer 2026 simboliza a confiança do sistema financeiro na força das cooperativas e marca o início de uma nova etapa de industrialização no Estado.
O projeto prevê uma área construída de 75 mil metros quadrados em um terreno de 138 hectares, com integração ferroviária para ampliar a eficiência logística e reduzir custos de transporte. Na primeira fase de operação, a capacidade de processamento será de três mil toneladas de soja por dia, totalizando um milhão de toneladas por ano. A produção de biodiesel deve alcançar 600 toneladas diárias, o que corresponde a 200 mil toneladas anuais, com início das operações previsto para 2028. Além da industrialização, o empreendimento deve gerar mais de 1.500 empregos diretos e indiretos, movimentar o comércio local e ampliar a arrecadação tributária, reforçando o papel das cooperativas como agentes de desenvolvimento regional.
Os presidentes das cooperativas destacaram o caráter histórico da iniciativa. Germano Döwich, da Cotripal e da Soli3, afirmou que a liberação do financiamento representa “um marco para o avanço do projeto”. Nei César Manica, da Cotrijal, ressaltou que o aporte é “um investimento expressivo no desenvolvimento do Estado, na industrialização e na geração de valor para a produção gaúcha”. Já Walter Vontobel, da Cotrisal, enfatizou que “projetos estruturados e pensados a longo prazo encontram parceiros à altura”. O presidente do Banrisul, Fernando Lemos, reforçou a importância estratégica do investimento, lembrando que apoiar iniciativas como essa significa fortalecer toda a cadeia produtiva, do produtor ao comércio.
Do ponto de vista técnico, a Soli3 representa um novo patamar de intercooperação. A união de três grandes cooperativas em torno de um projeto industrial amplia a escala de produção, fortalece a logística regional e aumenta a competitividade internacional. Esse modelo mostra que o cooperativismo pode ser protagonista na industrialização, sem perder sua essência de inclusão e desenvolvimento comunitário. Ao agregar valor à soja, o empreendimento também fortalece a cadeia de biodiesel, alinhada às metas de sustentabilidade e transição energética, integrando-se ao programa nacional de biocombustíveis e ampliando a participação do Rio Grande do Sul na cadeia global de proteínas.
Mais do que uma indústria, a Soli3 se consolida como uma estratégia de futuro para o agronegócio gaúcho. A parceria com o Banrisul, primeira instituição financeira a aportar recursos no projeto, reforça a credibilidade da iniciativa e abre caminho para novas etapas de financiamento e expansão. O resultado esperado é uma transformação estrutural na forma como o cooperativismo agrega valor à produção agrícola, unindo escala, eficiência e compromisso social em benefício das comunidades e da economia do Estado.(por Gisele Flores -@giseleflorespampa)