Segunda-feira, 22 de abril de 2024

Suor excessivo nas axilas, mãos e solas dos pés: os tratamentos para quem sofre do problema que acomete 80 milhões de pessoas

Frio ou quente, sem motivo aparente, as famosas “pizzas”, ou bolsas de suor, surgem debaixo da manga de camisas e camisetas. Em casos mais graves, pode até pingar das mãos. A hiperidrose ou sudorese anormal e excessiva, que não necessariamente está relacionada a altas temperaturas, afeta a qualidade de vida de quem a sofre. No verão, os incômodos podem ser potencializados, afetando os hábitos e o cotidiano das pessoas que sofrem com a patologia.

Embora não seja considerada uma doença, dependendo do transtorno que causa é recomendado a ida ao médico especializado para tratá-la e assim resolver um problema que se torna social. Nos indíviduos com a condição, seus principais sintomas são: roupas encharcadas e até as mãos podem pingar de suor, impossibilitando a realização das tarefas diárias.

Segundo a Mayo Clinic, “a hiperidrose ocorre pelo menos uma vez por semana, durante o dia. E a transpiração geralmente ocorre em ambos os lados do corpo.” A recomendação de consultar um médico aplica-se quando “o suor perturba a rotina diária; causa sofrimento emocional ou retraimento social.

O cirurgião plástico e membro da Sociedade Argentina de Cirurgia Plástica, Estética e Reconstrutiva (SACPER), Raúl Banegas, esclarece que a hiperidrose focal primária ocorre quando suamos mais do que o normal, não em todo o corpo, mas de maneira concentrada nas axilas e/ ou mãos e/ou solas dos pés e não tem causa, por isso é dito primário. “Às vezes são secundários a outras doenças muito mais graves, por exemplo, um processo tumoral maligno”, diz.

Certas doenças e alguns medicamentos podem desencadear a transpiração excessiva. Por isso, “a primeira recomendação começa com a obtenção de um diagnóstico que o dermatologista fará, para ver o tipo de hiperidrose no paciente e avaliá-la”, diz Christian Sánchez Saizar, dermatologista e membro da Sociedade Argentina de Dermatologia.

Banegas cita um estudo realizado pela Academia Americana de Dermatologia, segundo o qual a hiperidrose atinge 2% da população e que sua versão primária representa mais de 90% dos casos. “Não está diretamente relacionado à temperatura ambiente, é devido ao excesso de estímulos nervosos e aumenta devido ao estresse emocional”, observa o cirurgião plástico.

Problemas sociais

É uma funcionalidade exagerada das glândulas sudoríparas que respondem a processos, por exemplo, nervos ou calor, excessivamente. A hiperidrose focal é mais comum em adolescentes e jovens e muitos deles começam após a puberdade. Embora não seja uma doença, é uma alteração de grande impacto do ponto de vista social.

O desconforto transcende o aspecto social, pois também pode complicar a vida profissional. “A transpiração nas mãos pode molhar o papel e dificultar o manuseio dos materiais, causando constrangimento e desconforto”, acrescenta Sánchez Saizar.

A hiperidrose axilar tem outras conotações sociais, não pelo cheiro — geralmente não o tem — mas pelo desconforto causado por camisetas e camisas visivelmente molhadas de suor. “Já ouvi casos de pacientes que me disseram que gostaram de uma camiseta e compraram duas iguais. Então, eles iriam para uma festa com as duas camisetas, uma vestida e a outra na bolsa, e no meio do evento pediriam permissão para ir ao banheiro trocar a que já estava completamente encharcada por seco”, diz o cirurgião plástico Raúl Banegas.

Tratamento

Para resolver o problema existem diferentes alternativas e é aconselhável ir de menos a mais na complexidade dos tratamentos. Em primeiro lugar, utiliza-se a aplicação de produtos tópicos, como loções com sais de alumínio “que se usam em meninos mais jovens antes de se recorrer a um tratamento minimamente invasivo”, explica Sánchez Saizar.

São produtos vendidos sob prescrição médica, que devem ser verificados periodicamente pelo médico especialista. “Esses tipos de produtos tópicos são amplamente utilizados em desodorantes graças aos seus efeitos antitranspirantes. Os sais bloqueiam o duto de suor e impedem que o suor escape para a superfície da pele. Devem ser indicados e supervisionados por um médico”, destaca o dermatologista.

Caso a alternativa tópica não tenha dado os resultados esperados, é indicada a aplicação de radiofrequência fracionada com microagulhas, que é tratada em consultório. Por fim, pode-se recorrer à toxina botulínica que é muito eficaz.

“O que se faz nesses casos é a aplicação da toxina botulínica na derme, que é justamente onde estão as glândulas sudoríparas. A toxina interfere nos comandos dados pelas terminações nervosas ao receptor da glândula sudorípara. Então, a glândula para de funcionar, simplesmente porque não está recebendo nenhuma ordem porque a comunicação está cortada”, explica Banegas.

O indivíduo que pode fazer o tratamento com toxina botulínica é aquele que se sente afetado socialmente por este tipo de sintomatologia. Ele pode ser usado a partir da adolescência e a duração é bem maior do que para rugas dinâmicas, para tratamento de músculos. Calculamos uma duração entre seis e oito meses e em algumas pessoas um pouco mais.

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