Quarta-feira, 18 de maio de 2022

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Teleconsulta dispara na pandemia

Com a pandemia de Covid-19 obrigando muita gente a ficar em casa nos últimos dois anos, a telemedicina deu um salto após o presidente Jair Bolsonaro sancionar a lei que autorizou a prática durante o período de crise. Segundo dados da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) foram realizados 5,1 milhões de teleatendimentos entre abril de 2020 e novembro de 2021.

Apesar de a pandemia ainda estar longe de ter um fim, com o avanço da variante Ômicron, já correm no Congresso Nacional, por meio da Frente Parlamentar Digital, discussões para que a regulamentação definitiva seja aprovada.

Porém, enquanto seguradoras e empresas do ramo de saúde defendem que a liberação ocorra o mais rápido possível, a comunidade médica e até hospitais solicitam uma regulação mais firme a fim de evitar abusos.

Um dos pontos hoje em discussão é que a teleconsulta seja usada para os chamados “retornos”. Ou seja: a primeira consulta do paciente precisaria ser presencial. Além disso, os médicos precisariam ter registro em cada Conselho Regional de Medicina para poder atuar com pacientes que moram em outros Estados. O CFM (Conselho Federal de Medicina) afirma que tudo está sendo avaliado com critério.

Os hospitais também estão de olho. Médicos e planos de saúde não estão na mesma página no que se refere à teleconsulta. Não houve assinatura em conjunto das duas partes defendendo a regulação, pela questão dos valores das consultas. As empresas, por exemplo, acreditam que os valores podem ser negociados caso a caso, uma vez que o custo do consultório não se torna uma variável nesse tipo de atendimento.

Os médicos, por sua vez, defendem a manutenção do valor porque o que é mais valioso é o conhecimento do médico, e não o espaço físico. “As consultas a distância também trazem um risco maior para o médico, já que ele não tem o contato físico com o paciente. Logo, também é algo que justifica os mesmos valores”, diz Antonio Carlos Endrigo, presidente da comissão de saúde digital da AMB (Associação Médica Brasileira).

Por último, existe a questão de qualificação. Hoje, uma minoria dos cursos de Medicina trabalha a questão de saúde a distância. Para parte do setor, é necessária uma especialização para esse tipo de atendimento, que deve ser até obrigatória em alguns casos.

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