Sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Trump chama audiência sobre invasão do Capitólio nos Estados Unidos de “deboche da Justiça”

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump classificou como um “deboche da Justiça” as investigações realizadas pelo comitê do Congresso americano que investiga os ataques ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

Em uma carta de 12 páginas – primeira reação significativa de Trump às conclusões do comitê –, o ex-presidente disse que, em vez de se concentrar nos problemas do país, o painel é um “tribunal ilegal” que “procura distrair o povo americano da grande dor que sentem”.

“A verdade é que os americanos apareceram em grande número em Washington em 6 de janeiro de 2021, para responsabilizar seus funcionários eleitos pelos sinais claros de atividade criminosa ao longo da eleição”, acrescentou.

Após ser derrotado nas urnas em uma eleição certificada pelas instituições americanas, Trump passou a defender a tese batizada de “Grande Mentira”, de que a eleição foi fraudada.

Pessoas do círculo íntimo de Donald Trump, incluindo seu genro e articulados político Jared Kushner, depuseram ao comitê na última segunda-feira (13), e afirmaram que não havia evidências críveis de que a eleição havia sido roubada, mas que foram ignorados e ridicularizados pelo ex-presidente, enquanto ele persistia nas alegações infundadas.

O ex-procurador-geral William Barr fez algumas das avaliações mais duras sobre a obsessão do ex-presidente sobre a alegação de fraude eleitoral. Em um depoimento gravado, também divulgado na segunda, Barr disse que Trump havia se “desligado da realidade” ao pressionar o Departamento de Justiça para investigar alegações de fraude.

“Ele se distancia da realidade se realmente acredita nessas coisas”, disse Barr.

A comissão, composta por sete deputados democratas e dois republicanos, investiga há cerca de um ano a responsabilidade de Trump no ataque ao Capitólio por seus apoiadores.

Em duas audiências públicas, os legisladores tentaram provar que o magnata estava no centro de uma “tentativa de golpe de Estado” ao incentivar seus apoiadores a invadir a sede do Congresso.

Quatro outras audiências devem acontecer até 23 de junho.

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Mais de 100 candidatos vencedores até o momento nas primárias do Partido Republicano para cargos estaduais e federais nos Estados Unidos endossam as alegações do ex-presidente Donald Trump de que as eleições de 2020 foram fraudadas.

A revelação foi feita pelo jornal americano The Washington Post, que analisou os resultados eleitorais e os discursos dos candidatos até as primárias de maio. O jornal promete atualizar a investigação conforme novos resultados forem saindo.

Segundo o levantamento, os eleitores escolheram pelo menos 108 candidatos a cargos estaduais ou no Congresso que repetiram as acusações falsas de Trump. O número salta para pelo menos 149 candidatos vencedores – de mais de 170 disputas – quando inclui aqueles que fizeram campanha em favor do endurecimento das regras de votação ou aplicação de medidas mais rigorosas, apesar da falta de evidências de fraude generalizada.

O levantamento inclui resultados nos 14 Estados que já realizaram primárias ou convenções de indicação até o final de maio, e considera as disputas para o Congresso e todos os cargos estaduais com poder de administração eleitoral: governador, vice-governador, procurador-geral e secretário de Estado.

Os candidatos considerados vencedores incluem aqueles que avançaram para o segundo turno das primárias, mas ainda não garantiram a indicação do partido.

Já foram escolhidos oito candidatos para o Senado dos EUA, 86 candidatos para a Câmara, cinco para governador, quatro para procurador-geral e um para secretário de Estado que abraçam a negação eleitoral de Trump, aponta o Post. “A contagem não inclui a rodada mais recente de primárias em 7 de junho. O Post continuará atualizando sua análise ao longo do ano”, informa.

A análise também mostrou que, mesmo candidatos que não abraçaram completamente as falsas narrativas de Trump se sentiram compelidos a, de alguma forma, adotar o discurso da “integridade eleitoral”.

Além dos 108 candidatos que ganharam suas indicações ou avançaram para o segundo turno utilizando as falsas alegações de fraude, outros 41 vencedores nomearam a integridade eleitoral como um elemento-chave em sua campanha.

Entre os argumentos dessa integridade estariam a suposta necessidade de “melhorar” ou “restaurar” a confiança do público nas eleições americanas ou fornecer mais aplicação das leis existentes.

“Em vez de declarar que a eleição de 2020 foi legítima, muitos desses candidatos citam a falta de fé no resultado entre seus eleitores como motivo para exigir leis eleitorais mais rígidas”, aponta o jornal. “Defensores dos direitos de voto dizem que tais leis podem tornar mais difícil para as pessoas votarem e são desnecessárias, dada a escassa evidência de fraude.”

E mesmo candidatos que não abraçaram a acusação de fraude, inclusive se opondo à estratégia de Trump de pedir recontagens e tentar bloquear a certificação, se viram apoiando a tese da integridade eleitoral. Os principais exemplos são o governador Brian Kemp e o secretário de Estado Brad Raffensperger, ambos da Geórgia, que desafiaram Trump em 2020, mas apoiaram uma lei de integridade eleitoral em 2021.

Por outro lado, apenas 22 concorrentes vencedores ou candidatos a vagas abertas se recusaram a abraçar a falsa narrativa de fraude ou evitaram a retórica da integridade eleitoral.

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