Terça-feira, 16 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 16 de junho de 2026
O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou nesta segunda-feira (15) a incorporação de uma nova terapia para o tratamento da Leucemia Mieloide Aguda (LMA) em adultos recém-diagnosticados que não apresentam condições clínicas para se submeter à quimioterapia intensiva tradicional. A medida representa um avanço no atendimento oncológico da rede pública e deve beneficiar principalmente idosos e pacientes com maior grau de fragilidade.
A nova estratégia terapêutica combina os medicamentos venetoclax e azacitidina, cuja incorporação foi recomendada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Segundo o Ministério da Saúde, estudos científicos analisados pela comissão demonstraram que a associação dos dois fármacos apresenta resultados superiores aos tratamentos convencionais disponíveis para esse perfil de paciente.
A Leucemia Mieloide Aguda é considerada uma das formas mais agressivas de câncer hematológico. A doença se caracteriza pela rápida multiplicação de células anormais na medula óssea, comprometendo a produção normal dos componentes do sangue e exigindo diagnóstico e tratamento imediatos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a nova terapia será disponibilizada na rede pública em até 180 dias, conforme estabelece a Portaria nº 30/2026. A expectativa é ampliar as chances de controle da doença e aumentar a sobrevida dos pacientes que, até então, contavam com opções terapêuticas mais limitadas.
A pasta destaca que a incorporação da tecnologia também busca proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes. Isso porque a combinação de venetoclax e azacitidina pode reduzir a necessidade de procedimentos mais agressivos e oferecer uma alternativa para pessoas que, por idade avançada ou condições de saúde associadas, não suportariam os efeitos colaterais de esquemas intensivos de quimioterapia.
Segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), a LMA afeta principalmente adultos e idosos. Diferentemente de outros tipos de leucemia, a doença apresenta evolução acelerada e pode se agravar em poucas semanas caso não seja tratada adequadamente.
A enfermidade tem origem na chamada linhagem mieloide, responsável pela formação de diferentes células sanguíneas na medula óssea. Quando ocorre uma alteração genética nessas células, elas passam a se multiplicar de forma descontrolada, impedindo a produção normal de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
Entre os sintomas mais frequentes estão cansaço excessivo, falta de ar, palidez, febre persistente, infecções recorrentes, hematomas espontâneos e sangramentos frequentes. Em muitos casos, os sinais podem ser confundidos inicialmente com outras doenças, o que reforça a importância do diagnóstico precoce.
Especialistas destacam que a identificação precisa do subtipo da leucemia é fundamental para definir o tratamento mais adequado. Exames laboratoriais, análises genéticas e testes moleculares ajudam os médicos a avaliar a agressividade da doença e as chances de resposta às diferentes terapias disponíveis.
A incorporação da nova combinação medicamentosa ocorre em um contexto de expansão do acesso a tratamentos oncológicos no SUS. Nos últimos anos, o sistema público tem adotado novas tecnologias voltadas ao tratamento de diferentes tipos de câncer, com o objetivo de aumentar a eficácia das terapias e oferecer alternativas mais modernas aos pacientes.
Com a decisão, o Ministério da Saúde espera ampliar as possibilidades terapêuticas para pessoas diagnosticadas com Leucemia Mieloide Aguda e reduzir os impactos de uma doença que continua sendo um dos cânceres hematológicos de maior gravidade e rápida progressão.