Sábado, 01 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 31 de julho de 2026
Susanna tinha 28 anos quando foi diagnosticada com câncer colorretal. André foi diagnosticado com câncer de pulmão aos 34. Os dois compartilham suas batalhas contra a doença nas redes sociais. Os dois casos não são isolados.
Pesquisadores vêm observando uma tendência semelhante nos Estados Unidos, com taxas de incidência ainda maiores do que na Alemanha. Outros tipos de câncer também estão sendo diagnosticados com mais frequência em pessoas mais jovens, incluindo câncer de medula óssea e do endométrio.
No entanto, o câncer é, na verdade, uma doença da terceira idade. Segundo a entidade Ajuda Alemã contra o Câncer, a idade média de aparecimento da doença em homens e mulheres é de 69 anos. As células cancerígenas se desenvolvem quando determinados segmentos do DNA sofrem alterações que não podem mais ser reparadas. Quanto mais velhos ficamos, menos confiável esse sistema de reparo se torna.
Um estudo recente realizado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, identificou uma correlação que pode fornecer uma pista sobre o motivo de pessoas com menos de 50 anos estarem desenvolvendo certos tipos de câncer com mais frequência: em pessoas mais jovens, foi observada uma diferença maior entre a idade cronológica e a idade biológica.
A idade cronológica se refere ao número de anos vividos desde o nascimento. A idade biológica, por outro lado, descreve o quão avançados estão os processos de envelhecimento no corpo. Diferentes órgãos e tecidos podem envelhecer em ritmos diferentes.
Em outras palavras, o fígado, o cérebro e o coração da mesma pessoa podem ter idades biológicas diferentes e, portanto, diferir significativamente da idade real da pessoa.
Com este novo estudo, foi estabelecida, pela primeira vez, uma ligação entre o aumento da diferença entre a idade cronológica e a idade biológica em pessoas mais jovens e o câncer precoce, afirma Ron Jachimowicz, médico e onco-hematologista do Hospital Universitário de Colônia e chefe de um grupo de pesquisa do Instituto Max Planck de Biologia do Envelhecimento.
Idade biológica
A idade biológica não é fácil de determinar. Vários parâmetros devem ser considerados, e não existe um único teste preciso. Em vez disso, são utilizados testes epigenéticos para medir as alterações químicas no DNA, certos valores sanguíneos são analisados e o comprimento dos telômeros – as estruturas protetoras nas extremidades dos cromossomos – é determinado. Além disso, são utilizados testes fisiológicos que avaliam diversas funções corporais e orgânicas, bem como avaliações cognitivas.
Os autores do estudo em questão também empregaram uma combinação de vários desses métodos de medição. Eles analisaram dados de mais de 150 mil pessoas do UK Biobank, um banco de dados biomédico do Reino Unido.
Pessoas nascidas entre 1965 e 1974 apresentaram uma diferença significativamente maior entre a idade cronológica e a idade biológica do que aquelas nascidas entre 1950 e 1954.
Quanto mais jovens os indivíduos analisados, maior se tornava a diferença: um exame envolvendo dez mil pessoas dos EUA revelou uma diferença ainda maior entre indivíduos nascidos entre 1990 e 1999 e pessoas nascidas entre 1965 e 1969.
Fatores
Anteriormente, presumia-se que entre 75% e 90% da idade biológica poderia ser influenciada pelo estilo de vida. Para Ron Jachimowicz, isso não é verdade. “Podemos influenciar 50%; os outros 50% são geneticamente determinados.”
O que retarda o processo de envelhecimento “são essas intervenções típicas no estilo de vida”, diz Jachimowicz. Exercícios regulares, dieta saudável, sono de qualidade e evitar drogas e álcool. Os contatos sociais também não devem ser subestimados, acrescentou o médico.
A questão de por que as gerações mais jovens envelhecem biologicamente mais rápido do que seus pais e avós é menos fácil de responder. Mas existem hipóteses: “Os jovens tendem a desenvolver obesidade mais cedo e, portanto, por um período mais longo de suas vidas”, diz Tanwei Yuan, epidemiologista na Unidade de Epidemiologia Clínica de Rastreamento de Câncer do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer em Heidelberg.
Além disso, os jovens são mais sedentários e têm um sono menos reparador devido ao tempo gasto em frente às telas, afirmou Yuan. Ela também disse que o estudo fornece evidências importantes que corroboram as hipóteses dos pesquisadores de câncer.
A cientista enfatiza ainda a importância de um estilo de vida saudável para prevenir o câncer em estágio inicial. “Se você não se sentir bem, procure um médico e peça um exame”, aconselha. Ela sabe do que está falando. Depois de se sentir mal por algum tempo, a pesquisadora de 32 anos foi diagnosticada com um pólipo no cólon no ano passado. (As informações são do g1)