Sábado, 01 de agosto de 2026

Novos dados mostram que injeção semestral para prevenir o HIV mantém eficácia perto de 100%

O lenacapavir, uma injeção contra o HIV aplicada apenas duas vezes por ano, manteve uma eficácia próxima de 100% mesmo depois de mais um ano de acompanhamento dos voluntários que participaram dos testes do medicamento, mostram novos dados divulgados.

Os resultados são de dois estudos, batizados de PURPOSE 1 e PURPOSE 2, que acompanharam pessoas que decidiram continuar tomando o remédio depois da fase inicial da pesquisa — ou seja, já sabendo que estavam usando o lenacapavir, e não um placebo ou outro remédio.

No PURPOSE 1, feito com mulheres cisgênero, 95% das participantes elegíveis optaram por iniciar ou continuar as aplicações. Durante as primeiras 52 semanas dessa nova fase, não houve nenhuma nova infecção por HIV entre as participantes que receberam o lenacapavir. A adesão às injeções também se manteve alta, em 96%.

Já o PURPOSE 2 incluiu homens cisgênero, homens trans, mulheres trans e pessoas não binárias, inclusive participantes recrutados no Brasil. Cerca de 95% dos elegíveis optaram por iniciar ou continuar com o lenacapavir. Nessa nova fase do estudo, foi registrada uma nova infecção por HIV em uma pessoa que havia recebido todas as aplicações dentro do prazo previsto.

Segundo os pesquisadores, os níveis do medicamento no organismo desse participante estão sendo analisados para tentar entender por que a infecção ocorreu mesmo com as aplicações em dia.

Desde o início do estudo, foram registrados quatro casos de HIV entre os 3.004 participantes que receberam lenacapavir. Três deles já haviam sido divulgados anteriormente, e apenas um ocorreu nessa nova etapa da pesquisa.

O número representa uma incidência muito baixa e, ainda de acordo com os pesquisadores, mostra que a injeção continuou apresentando alta eficácia na prevenção do HIV.

Outros estudos

Outros dois estudos, o ISLEND-1 e o ISLEND-2, testaram uma versão diferente do lenacapavir: um comprimido, combinado a outra droga chamada islatravir, tomado uma vez por semana em vez de todos os dias.

Essa versão, porém, não é voltada à prevenção — é pensada para quem já vive com HIV e faz tratamento, como alternativa aos remédios diários usados hoje para manter o vírus sob controle.

Nos dois estudos, que somaram mais de 1.200 participantes, o comprimido semanal teve desempenho equivalente ao dos tratamentos diários já usados, sem problemas de segurança novos.

No Brasil, o lenacapavir foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro, mas ainda não há previsão de quando o medicamento poderá chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Antes de qualquer análise sobre uma possível incorporação à rede pública, a Gilead Sciences, fabricante do remédio, precisa concluir o processo de definição do preço máximo de venda junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Essa etapa é obrigatória para que o medicamento possa ser submetido à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar critérios como eficácia, segurança e custo-efetividade antes de recomendar ou não a adoção de uma nova tecnologia pelo sistema público.

Enquanto o preço não for definido, o lenacapavir não pode ser analisado pela comissão.

O custo também deve entrar nessa avaliação. Fora do Brasil, o lenacapavir é comercializado por valores que superam US$ 25 mil por pessoa ao ano.

Saiba mais

O lenacapavir é um antirretroviral inovador com ação prolongada para a prevenção do HIV.  Ele é um medicamento injetável (ou seja, aplicado por injeção, mas não se trata de uma vacina) usado como profilaxia de pré-exposição (PrEP) ao vírus e administrado apenas duas vezes por ano, o que representa uma mudança significativa em relação aos comprimidos de uso diário.

Disponível no SUS desde 2018, esses remédios são tomados (PrEP diária e sob demanda) antes da relação sexual, o que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. Atualmente, cerca de 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente no país.

O principal diferencial do lenacapavir, contudo, está na duração da proteção. Enquanto a PrEP oral exige uso frequente e contínuo, o medicamento injetável mantém níveis de proteção elevados por vários meses após a aplicação, o que pode facilitar a adesão e reduzir falhas no uso.

Estudos clínicos de grande porte mostraram sua eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV, inclusive entre mulheres, grupo que historicamente enfrenta mais limitações com os métodos disponíveis.

Por esses resultados, a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o lenacapavir como opção adicional de PrEP e o classificou como a melhor alternativa disponível enquanto ainda não existe uma vacina contra o vírus. (Com informações do g1)

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