Quarta-feira, 24 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 24 de junho de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu seu plano de sancionar nessa quarta-feira (24) um projeto de lei bipartidário sobre moradia acessível, em uma tentativa de pressionar o Congresso a aprovar o projeto de lei conhecido como “Save America”.
A proposta, que está parada há muito tempo e agravou divisões dentro do Partido Republicano, é defendida pela Casa Branca como uma forma de evitar que pessoas sem cidadania americana votem nos EUA. A legislação, contudo, é vista com desconfiança, e críticos afirmam que é uma manobra para restringir o voto de minorias no país.
Hoje, o Partido Republicano é maioria tanto na Câmara quanto no Senado, mas o presidente teme perder o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato devido à perda de popularidade, ao mau desempenho da economia e à guerra contra o Irã.
O “Save America” prevê que os cidadãos sejam obrigados a apresentar documento na hora de votar e comprovação de cidadania americana para se registrar como eleitor. Também obriga os estados a entregar seus cadastros eleitorais ao governo federal, concentrando poder na esfera sob administração de Trump.
Sobre a comprovação de cidadania, Trump teve um novo revés nesta quarta. Uma juíza federal proibiu permanentemente seu governo de implementar o decreto que exigiria esse tipo de comprovante no ato do registro para votação.
A magistrada Denise Casper, que já tinha tomado decisão semelhante em caráter liminar, afirmou que a Constituição concede aos estados e ao Congresso a autoridade para regulamentar as eleições e que as exigências de Trump, por sua vez, violariam a separação dos poderes.
Trump afirmou que se reuniria com os republicanos do Senado ainda nesta quarta para convencê-los a aprovar o “Save America”, sua prioridade legislativa e, em suas palavras, uma “emergência nacional”. Visitas presidenciais ao Congresso são raras, e o encontro ocorre em um momento em que as relações entre Trump e seu partido no Senado atravessam um período de tensão.
O presidente escreveu em rede social que a assinatura do projeto de habitação, que visa flexibilizar regulamentações locais e incentivar a construção de moradias, está condicionada à aprovação do “Save America”.
Parlamentares de ambos os partidos se disseram chocados com a decisão do presidente de cancelar a cerimônia de assinatura. Muitos deles consideraram a medida mais uma manobra de Trump para minar os esforços de seu próprio partido em proteger a maioria no Congresso nas eleições de novembro.
Alguns republicanos indicaram que a decisão pode ser, em grande parte, um gesto simbólico. A proposta de habitação ainda pode se tornar lei mesmo sem a assinatura do presidente caso não seja sancionada em até dez dias, e os parlamentares acreditam ter votos suficientes para derrubar um eventual veto presidencial.
Mas a determinação de Trump pode não ser suficiente. Embora os republicanos controlem 53 das 100 cadeiras do Senado, eles não alcançam os 60 votos necessários para superar o mecanismo de obstrução legislativa – o chamado filibuster, requisito para a aprovação da maioria dos projetos de lei. Esse obstáculo já levou a cinco votações fracassadas do “Save America” desde meados de março.
Os republicanos também afirmam não ter votos suficientes para atender às repetidas exigências de Trump de eliminar o filibuster e aprovar o projeto por maioria simples.
Os republicanos da Casa também rejeitaram o apelo de Trump por outras manobras mais agressivas, como anexar o “Save America” a projetos de lei considerados indispensáveis. Os defensores da proposta argumentam que não devem abandonar os esforços para aprovar uma das principais prioridades de Trump.
Com menos de cinco meses para as eleições legislativas de novembro, que podem pôr fim à maioria republicana, senadores do partido começaram a resistir a Trump em várias frentes. (Com informações da Folha de S.Paulo)