Sexta-feira, 06 de novembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 6 de novembro de 2026

Setor constrói plataforma conjunta de prioridades e busca fortalecer políticas permanentes para uma atividade que movimenta emprego, renda e desenvolvimento regional
Em um movimento incomum pela amplitude e diversidade dos participantes, mais de 70 representantes de entidades ligadas ao turismo, eventos, hotelaria, gastronomia, comércio e serviços do Rio Grande do Sul deram início à construção de uma agenda conjunta de prioridades para os próximos anos. O encontro, realizado a bordo do Barco Cisne Branco, em Porto Alegre, representa uma tentativa de consolidar uma pauta unificada para um dos segmentos mais transversais da economia gaúcha.
Promovida por um coletivo de entidades do turismo e de eventos, a iniciativa teve caráter apartidário e reuniu organizações que, embora atuem em áreas distintas, compartilham interesses comuns relacionados ao desenvolvimento econômico, à atração de visitantes e ao fortalecimento da infraestrutura turística do Estado.
A mobilização ocorre em um momento em que o turismo busca ampliar sua participação nas estratégias de desenvolvimento regional. Mais do que uma atividade ligada ao lazer, o setor é hoje um dos principais indutores de consumo em cadeias como hospedagem, alimentação, transporte, comércio, cultura, entretenimento e economia criativa.
Na avaliação de especialistas do setor, a principal relevância do encontro está na busca por continuidade das políticas públicas. Historicamente, uma das dificuldades enfrentadas pelo turismo brasileiro é a descontinuidade de programas e investimentos a cada mudança de gestão. Ao formular uma pauta única, as entidades pretendem apresentar à próxima administração estadual propostas estruturantes capazes de produzir resultados de médio e longo prazo.
Entre os temas considerados prioritários está a manutenção e o fortalecimento da Secretaria Estadual de Turismo, vista pelo setor como instrumento fundamental para a coordenação de políticas públicas e para a articulação entre governo, municípios e iniciativa privada. Outro ponto destacado foi a garantia dos recursos previstos no Marco Legal do Turismo, considerados essenciais para ampliar investimentos em promoção turística, qualificação e infraestrutura.
Também ganhou destaque a proposta de reestruturação do Observatório do Turismo, com autonomia técnica para produzir dados e indicadores que auxiliem o planejamento do setor. Para lideranças da atividade, a disponibilidade de informações confiáveis tornou-se decisiva em um ambiente cada vez mais orientado por inteligência de mercado, análise de comportamento do visitante e mensuração de resultados.
O documento que está sendo elaborado pelas entidades será submetido à validação das organizações participantes antes de ser encaminhado ao governador eleito, Luciano Zucco. A intenção é que a agenda sirva como referência para o diálogo entre o setor e a futura gestão estadual ao longo dos próximos quatro anos.
Entre as instituições envolvidas estão entidades representativas da cadeia turística, empresarial e de eventos, como ABAV-RS, ABIH-RS, Abrasel-RS, Sebrae-RS, Fecomércio-RS, Federasul, FIERGS, Famurs, Porto Alegre Convention Bureau, Gramado e Canela Convention & Visitors Bureau, Sindilojas Porto Alegre, SINDHA, SINDTUR Serra Gaúcha, além de conselhos, instâncias regionais de governança e organizações ligadas ao desenvolvimento econômico.
A presença de representantes de diferentes regiões reforça uma percepção cada vez mais consolidada entre os agentes do setor: o turismo deixou de ser uma atividade restrita aos destinos tradicionalmente consolidados e passou a desempenhar papel estratégico na diversificação econômica de municípios de diferentes portes.
Mais do que apresentar reivindicações pontuais, a articulação busca estabelecer uma visão de longo prazo para a atividade. Em um Estado que combina atrativos urbanos, turismo de negócios, enoturismo, gastronomia, natureza e patrimônio cultural, a construção de uma agenda unificada é vista por lideranças como um passo importante para aumentar a competitividade do Rio Grande do Sul no cenário nacional e ampliar a capacidade do turismo de gerar emprego, renda e desenvolvimento sustentável nos próximos anos. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)