Quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Uefa deve retirar ameaça de boicote a competições da Fifa

A Uefa deve retirar a ameaça de boicote às competições organizadas pela Fifa. Segundo o jornal britânico “The Guardian”, a entidade europeia recebeu garantias de que a Fifa não voltará a apresentar um projeto semelhante ao que previa a venda de participações em negócios relacionados à Copa do Mundo.

De acordo com a publicação, a tendência é que as seleções europeias sejam liberadas para disputar a próxima Copa do Mundo Feminina Sub-20, que será justamente na Europa, na Polônia, assim como outras competições da Fifa posteriormente. O boicote, no entanto, ainda não foi oficialmente retirado.

A crise teve início depois da revelação do projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), idealizado durante a gestão de Gianni Infantino. A proposta previa a entrada de investidores externos em ativos comerciais ligados à Fifa e provocou forte reação da Uefa. O plano acabou retirado quatro dias depois de se tornar público, mas a entidade europeia manteve a ameaça de boicote porque não havia recebido uma garantia de que uma iniciativa semelhante não seria retomada no futuro.

A Uefa e a Fifa mantiveram conversas reservadas nas últimas semanas para encontrar uma saída para o impasse. A Fifa teria agora formalizado, por correspondência privada, o compromisso de que não repetirá uma tentativa semelhante de privatização de ativos relacionados à Copa do Mundo.

Europeus devem disputar Mundial Sub-20

Caso a ameaça seja retirada, Inglaterra, França e Espanha, que já anunciaram suas listas para a Copa do Mundo Feminina Sub-20, poderão disputar normalmente o torneio. Portugal, Itália e a anfitriã Polônia também estão entre as seleções europeias classificadas. A Inglaterra estreia contra o Canadá em 5 de setembro.

O assunto deve ser discutido nesta quinta-feira (27) durante uma reunião do Comitê Executivo da Uefa e de dirigentes das federações nacionais, em Monte Carlo, antes do sorteio da Champions League. Os presidentes das 55 associações filiadas à entidade europeia estarão reunidos no encontro.

Apesar da possível retirada da ameaça de boicote, a tensão entre Uefa e Fifa deve continuar. Segundo o jornal britânico, a posição da entidade europeia de que Gianni Infantino deve deixar a presidência da Fifa não mudou. Novos passos em relação à liderança da entidade mundial também devem ser discutidos na reunião desta quinta-feira.

A Fifa divulgou comunicado sobre o Mundial festejando a presença dos europeus:

“A FIFA está satisfeita pelo fato de que todas as seleções classificadas participarão da próxima Copa do Mundo Feminina Sub-20 da FIFA. A FIFA acredita firmemente que o futebol tem o poder de unir, mesmo em circunstâncias desafiadoras, e aguarda com expectativa receber todas as equipes e jogadoras na Polônia”.

Continuamos comprometidos em apoiar ainda mais o desenvolvimento global da modalidade, por meio de nossas competições, do programa FIFA Forward e de nossas diversas outras iniciativas, sempre em pleno diálogo com as confederações e as partes interessadas”.

Pressão sobre Infantino segue

Apesar do recuo da Uefa, o presidente da European Leagues, entidade que representa 53 ligas profissionais masculinas e femininas, Claudius Schäfer aumentou a pressão pela saída de Gianni Infantino. Em entrevista ao The Athletic, divulgada nesta quarta-feira, o dirigente afirmou que questiona a capacidade de o suíço continuar à frente da Fifa e criticou a concentração de poder nas mãos do presidente.

“Questionamos sua aptidão para continuar como presidente. Aqui na Suíça, acompanhamos a Fifa de perto, e parece que a influência do presidente aumentou ano após ano. Grandes decisões são tomadas sem uma consulta significativa às partes que serão afetadas”, afirmou Schäfer.

O dirigente também citou episódios recentes envolvendo Infantino e afirmou que eles colocaram em xeque a integridade do futebol.

“Foi um verdadeiro escândalo. Não me lembro de uma intervenção política desse tipo relacionada a uma questão esportiva. Atos assim colocam em questão a integridade do jogo. É por isso que não há futuro na Fifa para Infantino. Não pode haver”, disse.

Schäfer defendeu ainda mudanças na estrutura da entidade e afirmou que elas só seriam possíveis sob um novo comando.

“Para nós, conseguir essas reformas é a tarefa mais importante, e elas só podem acontecer com outro presidente.”

 

 

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