Segunda-feira, 01 de junho de 2026

Uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos

Uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos no primeiro trimestre de 2026, em média. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país registrou 399 vítimas de feminicídio entre os meses de janeiro e março. O termo é usado para definir o homicídio de mulheres cometido em razão do gênero, ou seja, quando a vítima é morta por ser mulher, e está diretamente relacionada à violência doméstica e familiar.

Considerando o monitoramento realizado desde 2015, o ano de 2026 é o mais letal para as mulheres no recorte do primeiro trimestre. O volume de casos no primeiro trimestre desse ano apresenta uma alta de 7,55% em comparação ao mesmo período de 2025. Em uma década, o número de vítimas no início do ano saltou de 125 em 2015 para as atuais 399, superando inclusive os picos registrados em 2022 (372 vítimas) e 2024 (384 vítimas).

No ano passado, o número de feminicídios bateu recorde no Brasil: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro registrados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.

Os dados são compilados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), com base em informações fornecidas pelos estados, Distrito Federal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

Janeiro foi o mês mais violento do primeiro trimestre de 2026 para as mulheres no Brasil, com 142 vítimas de feminicídio registradas. Fevereiro teve 123 casos e novo aumento em março (134).

O estado de São Paulo concentra o maior número absoluto de feminicídios no país nos primeiros três meses de 2026, totalizando 86 vítimas, seguido por Minas Gerais, com 42 ocorrências, Paraná (33), Bahia (25) e Rio Grande do Sul (24),

Apenas dois estados não registraram feminicídios no período: Acre e Roraima.

Os dados também permitem verificar a variação percentual por estado, ou seja, o crescimento ou queda na quantidade de feminicídios. Embora tenha menos vítimas que São Paulo ou Minas Gerais, é o estado do Amapá que teve maior crescimento proporcional, comparando os primeiros trimestres: em 2026, foram 7 casos, ante 2 casos de 2025 (aumento de 250%).

Risco em casa

Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que 8 em cada 10 casos de feminicídio no país são cometidos por parceiros ou ex-companheiros — o que evidencia que o maior risco para muitas mulheres ainda está dentro de casa.

Em 2025, foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Os dados revelam também um recorte racial preocupante: 62,6% das vítimas são mulheres negras, o que escancara a desigualdade estrutural e a maior vulnerabilidade socioeconômica enfrentada por essa parcela da população, muitas vezes com menor acesso a redes de proteção e políticas públicas eficazes.

A maioria dos crimes ocorre dentro da própria residência (66,3%), reforçando o caráter doméstico dessa violência. Em 48,7% dos casos, são utilizados objetos comuns, como facas ou machados — instrumentos ao alcance cotidiano, o que demonstra como o feminicídio é, frequentemente, o desfecho extremo de ciclos contínuos de violência. (As informações são do g1 e Agência Senado)

 

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