Segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 13 de setembro de 2026
Criar condições para que cada estudante se sinta acolhido, respeitado e capaz de desenvolver seu potencial é algo tão importante no processo educacional quanto o próprio conhecimento. No Senac Distrito Criativo, em Porto Alegre, esse trabalho conta com um serviço voltado à identificação e redução de barreiras capazes de dificultar a aprendizagem e participação dos alunos: o Atendimento Educacional Especializado (AEE).
A unidade – localizada no complexo do Shopping Total (avenida Cristóvão Colombo) – atende alunos com deficiência intelectual, Síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, dislexia, discalculia e transtornos de ansiedade, dentre outras condições que podem impactar o processo de aprendizagem. A professora Tania Maria Brittes, com 36 anos de experiência en educação especial, ressalta:
“O papel do AEE é atuar em parceria com professores, famílias, equipes pedagógicas e demais setores da instituição, buscando eliminar barreiras que possam dificultar o acesso ao currículo, à permanência e ao sucesso acadêmico dos estudantes”.
Quando percebe que um aluno necessita do AEE, a escola cria um espaço de escuta e acolhimento, contribuindo para desconstruir preconceitos e estigmas que ainda podem estar associados às diferenças no processo de aprendizagem. Tânia acrescenta:
“A construção da relação com o estudante começa justamente nessa primeira conversa. É um momento em que procuro conhecer sua trajetória, suas experiências escolares, suas potencialidades, expectativas e desafios”.
Ainda de acordo com a docente, o acompanhamento do AEE pode envolver a flexibilização de atividades e avaliações, a adaptação de materiais, o uso de recursos visuais e tecnológicos, a organização de rotinas de estudo e o fracionamento de tarefas mais complexas.
“As estratégias são construídas em conjunto com os professores, a equipe pedagógica e o próprio aluno. O objetivo é promover autonomia, autoconfiança e condições para que cada estudante desenvolva seu potencial e possa construir seu projeto de vida e sua inserção no mundo do trabalho de forma digna, participativa e inclusiva”.
Por isso, o AEE também atua junto à comunidade escolar na construção de uma cultura mais inclusiva, com dinâmicas, atividades e projetos relacionados à diversidade, ao respeito às diferenças e à acessibilidade.
Estratégias diversificadas
Outro desafio significativo é preparar o corpo docente para compreender as necessidades educacionais específicas dos estudantes e reconhecer que a inclusão exige estratégias pedagógicas diversificadas. Nesse sentido, o AEE atua orientando os professores quanto a adaptações, recursos e formas de manejo pedagógico que favoreçam a aprendizagem e a participação dos estudantes.
O impacto desse acompanhamento, segundo a docente, pode ser percebido na relação do aluno com a própria formação. Ao encontrar um espaço em que suas dificuldades são compreendidas sem julgamentos e suas potencialidades são valorizadas, ele tende a ganhar mais confiança para participar das aulas, esclarecer dúvidas e enfrentar os desafios do percurso.
Quando o estudante percebe suas capacidades, reconhece seus talentos e encontra uma rede de apoio comprometida com seu desenvolvimento, ele passa a acreditar mais em si mesmo e em seu potencial profissional. Assim, o AEE contribui também para a formação de cidadãos mais autônomos, confiantes e preparados para construir sua trajetória no mundo do trabalho”.
A docente conclui que esse olhar também representa uma mudança na própria compreensão sobre inclusão: “Não se trata de beneficiar apenas quem recebe o atendimento. Quando uma instituição se torna mais inclusiva, toda a comunidade escolar cresce. Aprendemos a conviver com as diferenças, a respeitar diferentes formas de aprender e a reconhecer o valor de cada pessoa”.
(Marcello Campos)