Segunda-feira, 29 de junho de 2026

Vacinação precisa avançar pelo mundo inteiro para que deixemos de ser celeiros de novas variantes, avalia cientista brasileira de Oxford

Só nos Estados Unidos até novembro de 2021, a vacinação contra a covid salvou 1,1 milhão de vidas, evitou 10 milhões de hospitalizações e preveniu 35 milhões de infecções pelo coronavírus. Foi com esse dado, recém-divulgado pelo Fundo Commonwealth, que a médica brasileira Sue Ann Costa Clemens iniciou sua apresentação por videoconferência durante o Congresso Brasileiro de Infectologia, realizado entre os dias 14 e 17 de dezembro em Goiânia.

Segundo a cientista, a vacinação precisa avançar pelo mundo inteiro para que deixemos de ser celeiros de novas variantes.

A especialista analisou, durante cerca de uma hora, o progresso obtido nos últimos meses com as vacinas contra a covid e quais são as perspectivas futuras nessa área.

“Em poucos meses, conseguimos realizar treinamentos de profissionais, criar toda uma infraestrutura, acelerar a transferência de tecnologias e aprimorar os caminhos regulatórios de novos produtos. Que consigamos manter esses aprendizados para os próximos anos”, disse.

Diretora e uma das fundadoras do Programa de Mestrado em Vacinologia da Universidade de Siena, na Itália, Clemens também é professora de Saúde Global na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e atua no Departamento Clínico e de Relações Internacionais do Instituto Carlos Chagas, no Rio de Janeiro.

Variante ômicron

A ômicron chegou trazendo caos. Em tempos de fadiga pandêmica generalizada, no entanto, é essencial lembrar que espalhar o pânico não funciona.

Mais uma vez, com a ômicron, é tempo de rigor, transparência (dizer o que se sabe e o que não se sabe) e, sobretudo, propor soluções.

A ômicron é mais transmissível? Desde que foi detectada há algumas semanas, a variante está se alastrando rapidamente em muitos países. Parece que seu crescimento está disparado, é exponencial e que em poucas semanas substituirá a variante Delta, até agora dominante.

No entanto, embora ainda seja muito cedo para dizer, alguns dados sugerem que essa alta incidência não está levando a uma maior mortalidade.

Sobre isso, ainda existem dados conflitantes e é difícil saber o que vai acontecer. O nível de incerteza permanece muito alto. É verdade que hospitalizações, admissões em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) e óbitos ocorrem com defasagem de algumas semanas.

O problema é que uma variante muito mais transmissível, mesmo que menos virulenta, não significa necessariamente que cause menos mortes: se crescer a uma velocidade tão alta, se houver muitos casos em muito pouco tempo, pode haver mais mortes.

Uma sexta onda intensa e rápida em número de casos vai gerar um colapso no sistema de saúde, algo que, como já vimos, tem consequências muito graves.

As agências internacionais de saúde classificam a situação como de risco muito alto. Por esse motivo, alguns dizem que “é preciso se preparar para o pior”.

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