Terça-feira, 16 de agosto de 2022

Veja o que fazer com os seus investimentos após a taxa Selic avançar para 13,75% ao ano

Com o objetivo de conter o dragão da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou a taxa básica de juros (Selic) pela 12ª vez consecutiva. Após uma alta de 0,5 ponto percentual, como indicado em junho, a Selic avançou para 13,75% ao ano.

A elevação causa dois impactos no cotidiano financeiro das pessoas: ela deixa o crédito mais caro, por um lado, e sobe o rendimento de investimentos de renda fixa, especialmente os atrelados à Selic e ao CDI, por outro. Assim, como consequência, a alta diminui a atratividade das aplicações financeiras de maior risco, como as ações.

No Brasil, os especialistas sabem que a Selic está bem perto do pico, mas ainda não sabem quando ela começará a cair. Eles esperam que demore alguns meses, no mínimo, mas alguns chegam a prever que isso acontecerá apenas em 2024. Ou seja, ainda dá para projetar um período de juro alto pela frente. Nesse cenário, ainda vale a pena comprar ações? Depende do seu perfil como investidor, afirmam.

“O prêmio para não tomar risco está muito alto e é natural que os investidores continuem apostando mais na realidade da renda fixa e menos no sonho da bolsa”, afirma Wilson Barcellos, presidente da gestora de patrimônio Azimut.

Considerando que a Bolsa brasileira deve enfrentar muita volatilidade nos próximos meses, ainda mais antes da eleição, ele diz que não é hora de conservadores começarem a comprar Bolsa, nem de moderados e agressivos aguardarem alta no curto prazo, porque as ações podem demorar mais tempo do que o esperado para se valorizarem.

Dan Kawa, diretor de investimentos da gestora de patrimônio Tag Investimentos, afirma que, apesar do consenso de mercado de que a Bolsa está barata, não há convicção sobre quando ela começará a avançar. Ele concorda que quem aguardar alguns anos conseguirá acumular mais dinheiro do que na renda fixa, mas que é necessário estar preparado para aguentar a volatilidade.

Gabriela Mosmann, analista de investimentos da Suno Wealth, reforça que momentos de incerteza são ótimos para aproveitar as ações baratas, mas que isso não é para todo mundo.

Renda fixa

A indicação dos especialistas é ser cauteloso com a Bolsa, mas aproveitar as chances de ter bons rendimentos na renda fixa. Aí, a recomendação é diversificar os investimentos de acordo com os objetivos financeiros e o prazo para realizá-los.

Os títulos atrelados à inflação são um consenso entre os especialistas para realizar objetivos de longo prazo. Como a remuneração deles é o IPCA mais uma taxa prefixada, definida na hora da aplicação, eles protegem o investidor da alta dos preços. Dá para achar esses papéis no Tesouro Direto com rendimento de IPCA mais ao redor de 6% ao ano, com datas de vencimento entre 2026 e 2055. É uma ótima taxa, segundo os especialistas.

“Prefiro os papéis com prazo menor, porque a gente nunca sabe o que vai acontecer com o Brasil e a maioria das pessoas não consegue deixar o dinheiro parado por muito tempo”, sugere Gabriela.

Lembre-se: antes da data de vencimento, esses títulos oscilam bastante e podem dar rendimento negativo. Por isso, é necessário estar disposto a resgatar o dinheiro apenas no final do prazo para ganhar o combinado.

Entretanto, há especialistas que acham que agora é um bom momento para comprar títulos prefixados, antes que as taxas desses papéis caiam com a expectativa de baixa da Selic. Dá para achar esses papéis no Tesouro Direto com rendimento perto de 13% ao ano, com datas de vencimento entre 2025 e 2033.

Thomás Gibertoni, gestor de patrimônio da Portofino Multi Family Office, é desse grupo. “Gostamos mais dos papéis prefixados do que dos atrelados à inflação atualmente. O investidor tem que se antecipar e garantir os juros altos”, afirma. O título com prazo em 2025, o mais curto no Tesouro Direto, é o preferido dele.

É importante destacar dois pontos sobre os papéis prefixados. O primeiro é que eles são mais arriscados do que os atrelados à inflação, porque o Banco Central pode demorar a cortar juros e o comprador pode ficar preso em um título com rendimento abaixo da Selic. E o segundo é que também é necessário estar disposto a resgatar o dinheiro apenas na data de vencimento para ganhar o combinado.

Os únicos títulos de renda fixa que dão rendimento positivo independentemente da data de resgate são os atrelados à Selic, no Tesouro Direto, ou ao CDI, como CDBs, LCIs e LCAs, emitidos por bancos. É por isso que eles são aconselhados para formar a reserva de emergência ou para realizar objetivos de curto prazo. O rendimento desses papéis aumenta quando o juro avança, mas em geral, é abaixo dos atrelados à inflação e prefixados.

O risco de calote dos CDBs, LCIs e LCAs é maior, mas até o limite de R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, o Fundo Garantidor de Créditos devolve o dinheiro. Além disso, é comum que esses títulos não tenham liquidez diária, ou seja, que eles não possam ser resgatados a qualquer hora. Se for contar com eles para a reserva de emergência, é importante investir em mais de um e naqueles com liquidez diária.

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