Sábado, 02 de março de 2024

Veja quem são os alvos da operação contra financiadores e participantes dos atos extremistas em Brasília

A Polícia Federal (PF) cumpriu, até a noite dessa sexta-feira (20), cinco de um total de oito mandados de prisão na primeira fase da operação Lesa Pátria, que mira financiadores e participantes de atos terroristas ocorridos em Brasília, em 8 de janeiro.

Entre os alvos, estão uma intérprete de libras, um ex-funcionário terceirizado do governo e um influenciador que utilizava um canal na internet para incitar atos antidemocráticos. Um dos alvos foi abordado em sua casa, mas conseguiu fugir ao pular a janela do segundo andar. O quinto preso não teve a identidade informada.

De acordo com a Polícia Federal, os fatos investigados envolvem crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.

Conheça alguns dos alvos da Lesa Pátria:

  • Renan da Silva Sena

Renan é ex-funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Ele já havia sido preso por policiais militares do Distrito Federal por soltar fogos de artifício próximo ao Ministério do Meio Ambiente. Ao cumprir o mandato, a PF encontrou em sua casa R$ 22 mil em dinheiro vivo.

Nas redes sociais, Renan costuma fazer publicações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Em seu canal do YouTube, publicou um vídeo dentro do QG do Exército no dia 6 de janeiro, em que chamava para uma “grande ação neste fim de semana” e convocava “oficiais e praças” das Forças Armadas. No vídeo, ele ainda afirma que o local aguardava novos manifestantes com “vários panelões (de comida) prontos”.

Ainda em maio de 2020, no início da pandemia da covid, Sena já havia protagonizado cena de agressão a enfermeiras, que se manifestavam em Brasília em favor de medidas de contenção ao coronavírus.

Na ocasião, o ato, segundo os organizadores, “era para reforçar a necessidade da população cumprir o isolamento social” e prestar homenagem aos 55 enfermeiros, técnicos e auxiliares que tinham perdido a vida para a doença até então. Vestido de verde e amarelo, Sena enfrentou e agrediu as enfermeiras, em vídeo que circulou nas redes à época. O deputado eleito Gustavo Gayer (PL), de Goiás, também participou do enfrentamento aos manifestantes na ocasião.

  • Ramiro Alves Da Rocha Cruz Junior, conhecido como Ramiro dos Caminhoneiros

Ramiro é citado em depoimento de diversos outros presos como sendo um dos organizadores e incentivadores dos atos do dia 8. Ele esteve em Brasília e, após o desmonte do acampamento no QG do Exército, chegou a visitar detidos no ginásio da PF em que eram mantidos. Ele disse que conseguiu entrar no local “miraculosamente”.

Filiado ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, Ramiro foi candidato a deputado federal por São Paulo no último pleito, mas não se elegeu. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele recebeu R$ 150,9 mil em recursos na última campanha. Em 2018, também concorreu a deputado federal pelo PSL, sigla pela qual Bolsonaro se elegeu presidente à época.

Em suas redes sociais, ele ostenta foto com o irmão de Jair Bolsonaro, Renato, na sede do PL em São Paulo.

  • Randolfo Antonio Dias

Randolfo participou do acampamento em frente ao QG do Exército em Belo Horizonte (MG). Em grupos de mensagens, ele incitava ações ilegais, como bloqueio de refinarias, e enviava áudios desejando pela morte do Presidente Lula e do ministro Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

  • Soraia Bacciotti

Soraia é intérprete de libras do Mato Grosso do Sul e aparece em postagens nas redes sociais como apoiadora de do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em uma das fotos compartilhadas em seu perfil, Soraia aparece ao lado e pede votos para Capitão Contar (PRTB), candidato derrotado a governador do Mato Grosso do Sul, e para quem Bolsonaro pediu votos durante debate presidencial da TV Globo, nas eleições do ano passado.

Ela chegou, inclusive, a atuar formalmente na campanha de Contar: dados do TSE mostram que Soraia trabalhou como intérprete de libras e recebeu R$ 1,4 mil da campanha do então candidato do PRTB.

Em seu perfil no Instagram, ela também tem foto com um dos filhos de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo, publicada em 2021.

  • Raif Jibran Filho

O empresário goiano Raif Jibran Filho também foi alvo de mandado de prisão da PF, mas conseguiu escapar. Fontes da Polícia Federal confirmaram que ele pulou do segundo andar, pela janela, e fugiu ao ser abordado em sua residência.

Sócio-administrador de um restaurante em Alto Paraíso de Goiás, Raif Jibran Filho é um dois oito alvos de mandados de prisão preventiva. Nas redes sociais, circula vídeo gravado por ele durante os atos extremistas de 8 de janeiro.

“Dia 8, aqui, domingo. Mostrando que o poder emana do povo. Estamos aqui tomando tiro de borracha, gás lacrimogêneo, mas mostrando que essa p* é nossa! (…) É guerra! Quer ser comandado por comunista? Vem pra guerra!”, diz Jibran Filho, no vídeo.

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