Domingo, 08 de março de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 8 de março de 2026
Para um minuto. Talvez dois.
Respira.
Agora imagina que você está lendo a sinopse de um thriller político. O seriado que promete ser o novo sucesso do Netflix. Segue esse roteiro comigo.
Um banqueiro é investigado por fraudes bilionárias. Ele foi preso embarcando em seu jatinho rumo a Dubai (glamouroso como pede Hollywood). Acabou em prisão domiciliar, o que não adiantou nada, porque ele é muito, muito poderoso e continuou agindo para boicotar o trabalho da polícia e, pior, pressionar testemunhas, ameaçar, destruir provas. Quatro meses depois, é preso novamente e, dessa vez, “cai” com ele o seu “matador”, conhecido como Sicário, visto que descobriram existir, por baixo dos panos, uma organização criminosa sistematizada e complexa.
No mesmo dia da prisão, mensagens encontradas em seu celular indicariam contato com um ministro da Suprema Corte constitucional do país. Sim, o tribunal mais importante do país, composto por apenas 11 juízes, considerados os mais qualificados do país. De reputação ilibada. Com notório saber jurídico.
(Neste ponto, perdoem-me, mas comecei a rir enquanto redigia este texto. Mas voltemos ao roteiro).
Enquanto isso, contratos milionários envolvendo o escritório de advocacia da família desse mesmo ministro aparecem associados ao banco investigado. Um dos contratos tem o valor de R$ 129.000.000,00, mas a advogada jamais atuou em qualquer processo do contratante.
Vou repetir: CENTO E VINTE MILHÕES DE REAIS, e até agora ninguém entendeu o porquê.
Este escandaloso caso de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude já virou processo que, ao invés de ser julgado por um juiz aleatório, acabou tendo a competência puxada, adivinhem?, para a mesma corte constitucional e – pasme! – corre em sigilo. Poderia ficar pior? Sim. Porque o juiz sorteado para relatar o caso (sorteio? Será?) assumiu no dia posterior a ter viajado no jatinho do advogado do banco.
Sim. Eu sei. É confuso e complexo, mas é tudo verdade.
Mas calma. Tem mais. Esse juiz – sócio, aliás, de um resort que recebeu investimentos do próprio banco réu no processo que ele mesmo deveria julgar -, além de ter decretado sigilo absoluto, também tomou medidas atípicas, como restringir investigações da polícia federal. Queria centralizar as provas, veja só! Que loucura.
A situação chegou a tal ponto que, diante da pressão, ele resolveu deixar o caso em fevereiro de 2026, após tais revelações de relações comerciais entre as partes. Mas não se engane: ele não se deu por suspeito, tá? Simplesmente se retirou. E, sim, isso importa. Explicarei mais adiante.
Em paralelo, outro ministro – um que já se dissera comunista e foi ministro de estado do presidente da república – suspende a quebra de sigilo bancário do filho do mesmo presidente, justamente no contexto de uma investigação sobre fraudes bilionárias no sistema previdenciário. Corrijo: a maior fraude da história do país.
E, sim, ambos os casos se correlacionam.
Mas tem mais. Enquanto essa bandidagem rola solta na corte superior, a realidade é outra para quem está atrás das grades. Doze horas após ser preso, o tal matador de aluguel tenta tirar a própria vida dentro da Polícia Federal. DENTRO DA POLÍCIA FEDERAL.
Enquanto isso, o povo – que deveria estar chocado e unido contra esse sistema absolutamente imoral estabelecido – está brigando, com unhas e dentes, defendendo seus políticos de estimação como se fossem parte de uma torcida organizada. A parte triste? Nenhuma delas vai poder comemorar quando a “partida” acabar. Porém, esse é outro assunto. Fato é que os discursos foram direcionados para um tal político da oposição, aquele que, claramente, tem se mostrado como o “mocinho” da história. Desencavaram uma imagem desse promissor deputado embarcando, quatro antes do estouro dessa investigação, em um jatinho de propriedade do tal banqueiro. O país parou para discutir essa “importante” questão, enquanto a trambicagem rolava solta para tentar poupar os poderosos.
Ou não. Porque, DO NADA, a maior rede de comunicação do país, que até então “fazia a egípcia” pra isso tudo, caiu na real. Ou algo de que sequer temos conhecimento aconteceu – e, confesso, eu não me importo. Só que precisamos da verdade.
E então, a frase mais famosa do país, que era, até então, “perdeu mané” passou a ser “e aí? Bloqueou?”. Com altas doses de crueldade, porque a primeira frase fora dita por um ex-ministro que até já se aposentou, mas acabou virando razão para uma condenação de 14 anos de prisão porque foi escrita a batom em uma estátua que era propriedade do Estado. A criminosa – uma tal de Débora – teve a pena confirmada porque apagou mensagens do Whatsapp.
Ora, veja só… o mesmo juiz que a condenou por isso é o cara que apagou mensagens – adivinha? do Whatsapp! – em conversa com o banqueiro. Gente, isso tudo é muito intenso.
Convenhamos. Se isso fosse roteiro de série política, provavelmente alguém diria que exageraram.
Só que não é ficção: é o Brasil dos últimos dias.
Vivemos a maior crise institucional dessa República. Eu não tenho dúvida alguma. Por que? Porque todos os poderes têm gente envolvida. E tem imprensa. E tem sistema financeiro. E tem acadêmicos. E tem classe artística.
O problema, definitivamente, é estrutural.
E o que mais me choca é que democracias se sustentam não apenas na legalidade formal das decisões, mas dependem também da aparência de imparcialidade.
Esse princípio é básico na teoria constitucional moderna: não basta que a Justiça seja imparcial – sim, é tipo a mulher de César! Ela precisa não só ser honesta, mas parecer honesta.
Quando a percepção pública começa a vacilar, o dano institucional pode ser profundo. Pode, não: já é, e o impacto político já está feito.
A pergunta que não quer calar, obviamente, é uma só ( e eu a tenho feito a todos): o que acontece agora?
A história política recente do país mostra que crises institucionais profundas não são novidade. O Brasil já atravessou o escândalo do Mensalão, que revelou um sofisticado sistema de compra de apoio parlamentar. Depois veio a Operação Lava Jato, que escancarou um dos maiores esquemas de corrupção da história mundial envolvendo estatais, partidos políticos e grandes empreiteiras. E, antes mesmo disso, houve casos emblemáticos como o escândalo do Banco Marka, no final dos anos 1990, que expôs fragilidades graves na relação entre sistema financeiro e decisões de Estado.
Em todos esses momentos, uma coisa ficou clara: quando escândalos financeiros se misturam com poder político e decisões judiciais, o impacto institucional é devastador.
Mesmo assim, vamos sobrevivendo. Aguentando. Pagando impostos. Suportando burocracias desnecessárias e vestindo o invisível nariz de palhaço que nos cabe, todo santo dia.
Quando “vai cair a ficha” de que trabalhamos cinco meses de um ano inteirinho para bancar essa corrupção toda? Quando compreenderemos que sem o grito dos empresários que mantêm esse país nos trilhos, a gente simplesmente não vai adiante? Quando teremos coragem de paralisar tudo e mostrar que, no fim do dia, o que importa, em uma nação que se quer pujante é ser produtivo, fazer dinheiro e prosperar para oportunizar a criação de uma vida familiar digna?
Afinal de contas, o objetivo final do ser humano é ser feliz. Realizar-se. Ser amado.
Amor. Daí me lembrei de um slogan político muito repetido nos últimos anos…
Diziam que o amor havia vencido.
Pelo visto, sim. Sabe o que venceu aqui no Brasil. O amor… ao dinheiro. Ao poder. Acima de tudo e de todos. Sem escrúpulos. Porque é assim que tem sido, e assim será. A não ser, claro, que quem tenha amor, de verdade, no coração, intervenha.
Daí, eu jogo pra você: está nas nossas mãos. O que faremos?
Ali Kemt
@ali.klemt