Quarta-feira, 06 de maio de 2026

Vorcaro tentou encobrir rombo de R$ 777 milhões após o Banco Master financiar empresas de familiares

Documentos internos do Banco Master apontam que Daniel Vorcaro e seus familiares realizaram uma operação financeira às vésperas da liquidação do banco e em meio ao avanço das apurações da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC) para cobrir um rombo de R$ 776,9 milhões. O valor, de acordo com a liquidante da instituição financeira, foi repassado a uma teia de firmas e fundos ligadas à família do banqueiro.

A suspeita de autoridades é que os recursos foram repassados pelo Master para uso particular por meio da compra de mansões e jatinhos. O negócio, de acordo com a apuração, tinha como objetivo dificultar o rastreio e ocultar o patrimônio da família Vorcaro.

Henrique Vorcaro, pai do dono do Master, e Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, já tiveram seus bens protestados em ação movida no mês passado pela liquidante do Banco Master, responsável por vender os bens e pagar os credores até a liquidação completa da instituição.

A suspeita é que, por meio dessa operação financeira, iniciada em 2022, eles desviaram recursos milionários do cofre do Master para financiar, entre outros bens, uma mansão de US$ 35 milhões na Flórida, nos Estados Unidos.

A defesa de Henrique e Natália nega irregularidades e diz que os negócios citados na ação foram lucrativos para o Master. “Não há qualquer ato ilícito atribuível à família, que sequer tem conhecimento destes fundos mencionados, os quais tem tomado ciência apenas após tais inquinações”, afirma a defesa (leia íntegra da nota abaixo). Os advogados de Vorcaro não quiseram comentar.

Na ação, os advogados da liquidante pediram o protesto de bens desses dois familiares do dono do Master, ou seja, que haja um aviso sobre a disputa judicial se houver a intenção de vendê-los. O objetivo é evitar o esvaziamento de patrimônio e proteger eventuais ressarcimentos de credores do Master.

O suposto desvio teria se iniciado após um fundo de investimento ligado ao Master, chamado City, adquirir de empresas da família Vorcaro títulos de mercado chamados de “recebíveis”.

Funciona assim: uma empresa que tem dinheiro a receber de vários clientes no futuro pode “empacotar” essas dívidas em contratos e vendê-los ao mercado, antecipando o dinheiro à vista. Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que, em 2022, o fundo City repassou R$ 419,9 milhões nas contas dessas empresas familiares, em troca de uma promessa de receber R$ 798 milhões nos anos seguintes.

A liquidante do Banco Master, entretanto, aponta fortes indícios de que esses recebíveis eram “podres”, isto é, não tinham lastro real ou chance de serem pagos pelos clientes originais na outra ponta. Como o dinheiro esperado não entrava, administradora do fundo passou a registrar perdas progressivas nos meses seguintes, seguindo as regras da CVM.

“Os indícios apresentados corroboram a tese de que os Requeridos, familiares próximos do ex-controlador, possam ter atuado de forma consorciada para a canalização, desvio e ocultação de recursos bilionários”, afirma a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que acatou uma liminar pelo protesto dos bens da família.

O rombo começou a aparecer publicamente no início de 2025, quando o fundo City admitiu ao mercado uma perda de 61,25% de seu patrimônio apenas no mês de março. No balanço de junho, o saldo negativo por calotes (chamada de “provisão para devedores duvidosos”) atingiu a marca de R$ 714,9 milhões. O City não comentou.

A suspeita levantada na ação é que, como o fundo estava assumindo um prejuízo bilionário para enriquecer diretamente empresas da família do ex-controlador, uma nova operação teria sido armada. Em 3 de julho de 2025, meses antes da liquidação do Master, o fundo City assinou um contrato vendendo todo esse “pacote” de recebíveis da família Vorcaro por R$ 776,9 milhões para uma empresa chamada Navarra S.A.. (Com informações do portal InfoMoney)

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