Sexta-feira, 19 de junho de 2026

WhatsApp redefine o varejo com comércio conversacional

 

Com 64% dos consumidores já comprando pelo aplicativo, empresas estruturam operações digitais para transformar conversas em vendas e reposicionar o funil de aquisição.

O WhatsApp deixou de ser apenas um aplicativo de mensagens para se tornar o epicentro das vendas digitais no Brasil. Uma pesquisa recente mostra que 73,3% dos consumidores preferem enviar mensagens para empresas em vez de utilizar canais tradicionais, como telefone ou email. O dado revela uma mudança estrutural no comportamento de compra: o consumidor busca interações rápidas, diretas e concentradas em um único ambiente.

Entre os entrevistados, 69% afirmam que esperar na linha para falar com uma empresa é “uma perda de tempo e extremamente frustrante”, enquanto 71% dizem preferir mensagens em vez de ligações. A percepção de praticidade é consistente: 79,8% consideram as mensagens uma forma rápida e fácil de se comunicar com empresas, 72,9% afirmam que conversar por mensagem é mais simples do que navegar em sites e 72,7% preferem mensagens ao email. Outro dado chama atenção: 64% dos adultos online já realizam compras diretamente por mensagens, em vez de ir a lojas físicas.

Esse movimento acompanha o avanço do chamado comércio conversacional, modelo em que toda a jornada de compra acontece dentro de aplicativos de mensagens. “O comércio conversacional consiste na utilização de plataformas de mensagens para interagir com os clientes ao longo de toda a sua jornada de compra. Por meio da comunicação bidirecional em tempo real, as empresas podem conectar-se com os clientes, fornecer informações sobre produtos, responder a perguntas e viabilizar compras em uma única conversa”, explica Alberto Filho, CEO da Poli Digital, empresa que desenvolve soluções para gestão e automação de conversas comerciais.

A expansão desse formato ajuda a explicar o crescimento dos anúncios Click-to-WhatsApp, cada vez mais utilizados no mercado publicitário brasileiro pela eficiência na conversão. Em cenários otimizados, campanhas digitais conseguem operar com custo por mil impressões (CPM) abaixo de R$ 10, especialmente quando há segmentação precisa e integração com tecnologias como a API de Conversões da Meta. Na prática, isso significa ampliar o alcance mesmo com investimentos reduzidos e levar o consumidor diretamente para uma negociação dentro do aplicativo.

“O que muda agora é a capacidade de estruturar o WhatsApp como operação. Não é só conversar com o cliente, é organizar esse volume, distribuir atendimento, medir resultado e tomar decisão com base em dados”, afirma Filho. Segundo ele, o modelo reduz atritos na jornada de compra: “Trata-se de um modelo de aquisição sem fricção, onde o clique já vira conversa. É a redução do caminho entre o interesse e a ação.”

Essa mudança altera a dinâmica tradicional do funil de vendas. Em vez de anúncios que direcionam para páginas externas ou formulários, a conversa acontece diretamente no chat. “Não existe formulário, não existe página intermediária, a pessoa clica e já está falando com a empresa. Isso reduz o abandono e acelera a tomada de decisão”, reforça o executivo.

O encurtamento da jornada, no entanto, exige organização operacional. À medida que o volume de mensagens cresce, empresas enfrentam desafios relacionados ao atendimento, rastreamento e mensuração de resultados. Plataformas especializadas passaram a atuar nesse ponto, permitindo identificar a origem de cada conversa, automatizar respostas e integrar canais em uma única interface. “Sem rastreamento, o WhatsApp funciona como um canal reativo. Com dados, ele passa a operar como mídia de performance, onde é possível entender o custo real de cada venda”, explica Filho.

O comportamento do consumidor brasileiro reforça esse cenário. O WhatsApp está presente em 99% dos smartphones do país e é acessado diariamente por 97% dos usuários, segundo a Opinion Box. Além disso, mensagens enviadas pelo aplicativo atingem taxas de abertura próximas de 98%, muito superiores às registradas em emails.

“O Brasil já definiu o WhatsApp como canal de comunicação. O que está em transformação é o uso desse canal como estrutura de vendas, onde a conversa passa a ser parte central da conversão”, conclui o CEO da Poli Digital. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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