Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Abastecimento de diesel está “apertado” para novembro, diz presidente de associação

O abastecimento de diesel no Brasil para novembro está “apertado”, diante do número ainda limitado de navios previstos para chegar ao país e da baixa atratividade econômica das importações. A avaliação é de Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), que alerta para a necessidade de confirmação de novas cargas nos próximos dias para garantir a oferta do combustível.

As importações respondem por cerca de 25% a 30% do consumo nacional, segundo estimativas do setor. Até o momento, a programação de navios para novembro não apresenta volumes considerados suficientes para assegurar tranquilidade no abastecimento. Um excedente de aproximadamente 300 mil metros cúbicos de diesel em outubro poderá ser transferido para o mês seguinte, mas o volume é pequeno diante da demanda prevista.

A expectativa é de consumo de 5,8 milhões de metros cúbicos em novembro. Em outubro, o consumo estimado foi de 6,6 milhões de metros cúbicos. A diferença mostra a dimensão do mercado que precisa ser atendido e a importância das importações para complementar a produção das refinarias brasileiras.

“Por enquanto, o mês de novembro ainda não está garantido para o abastecimento, mas temos mais alguns dias para observar os line-ups (programação de chegada dos navios). O volume que sobrou em outubro ajuda bastante. O setor aguarda a confirmação de novas embarcações nos próximos dias”, afirmou Araújo.

O cenário ocorre em meio à alta das cotações internacionais do petróleo e à diferença entre os preços praticados no mercado brasileiro e os valores de referência no exterior. Mesmo com medidas de apoio do governo federal, a importação de diesel permanece pouco atrativa para empresas privadas, porque o combustível comprado no exterior chega ao país mais caro do que o vendido pelas refinarias da Petrobras.

Na terça-feira (27), o governo prorrogou por mais 30 dias uma subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, cujo prazo havia terminado na segunda-feira. Há ainda uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro para o diesel importado, válida até 12 de novembro. Somados, os dois mecanismos representam R$ 3,52 por litro em apoio ao combustível.

O incentivo, no entanto, não elimina a diferença de preços. Segundo cálculos da Abicom, o diesel vendido nas refinarias da Petrobras apresenta defasagem média de R$ 4,15 por litro em relação à paridade de importação, uma diferença equivalente a 127% na comparação usada pela entidade. Mesmo com as duas subvenções, o produto importado ainda ficaria cerca de R$ 0,63 por litro mais caro que o combustível nacional.

Essa situação reduz o estímulo para que importadores privados contratem novas cargas. Se a diferença persistir, o mercado poderá depender mais da atuação da Petrobras para complementar a oferta, caso as compras feitas por empresas independentes não sejam suficientes. A estatal tem papel importante no abastecimento, mas a necessidade de ampliar as importações também depende das condições comerciais e da disponibilidade do produto no mercado internacional.

O governo informou anteriormente que o abastecimento de outubro estava garantido, com oferta confirmada superior à demanda estimada e estoques nacionais disponíveis. A avaliação para novembro, porém, depende da chegada de novas embarcações e da evolução das condições de mercado.

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