Número de agrotóxicos classificados como ‘extremamente tóxicos’ despenca de 702 para 43

Levantamento feito pela Folha a partir da lista publicada pela Anvisa nesta quinta-feira (1º), com a nova classificação de produtos, aponta que 659 agrotóxicos deixaram de ser considerados “extremamente tóxicos” à saúde. Ao todo, a lista compreende 1.942 agrotóxicos e, somente, 18 deles não sofreram mudanças na classificação. A adoção de novas regras para classificar agrotóxicos no país fez o número de produtos tidos como “extremamente tóxicos” à saúde passar de 702 para apenas 43.

Em nota, a Anvisa afirma que as mudanças visam atender o padrão internacional GHS desenvolvido pela ONU. No entanto, o pesquisador da Fiocruz Luiz Cláudio Meirelles alerta que a nova classificação representa um retrocesso e um risco à proteção do trabalhador. “Os produtos continuam com aquela toxicidade. Como fica quem vai estar na ponta utilizando o produto?”, disse à Folha.

Antes, produtos que causavam úlceras, corrosão na pele e opacidade da córnea eram classificados como extremamente tóxicos. Agora, essa categoria só alertará sobre produtos que causem a morte quando ingeridos, inalados ou em contato com a pele. Já produtos com efeitos tóxicos que não causem a morte passam a ter novo padrão de informações na rotulagem, com adoção de símbolos, por exemplo.

A mudança ocorre após a aprovação de um novo marco regulatório para o setor e gerou grande polêmica por diminuir drasticamente a quantidade de produtos classificados em categorias mais altas de toxicidade.

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