Quinta-feira, 25 de abril de 2024

A Alemanha entra na guerra ao enviar tanques para a Ucrânia? Entenda o caso

Quando a Alemanha decidiu entregar tanques Leopard à Ucrânia após uma longa hesitação, o governo da Rússia reagiu prontamente: “Tudo o que a Otan e as capitais que mencionei, tanto na Europa como nos EUA, fizerem será tratado por Moscou como uma participação direta no conflito”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo uma reportagem da agência de notícias russa Interfax.

Era exatamente esta acusação de Moscou — a de que a Alemanha é parte direta da guerra na Ucrânia — que o chanceler federal alemão, Olaf Scholz, sempre quis evitar. E foi justamente isso que ele havia negado na véspera através da emissora pública alemã ZDF: “Não, absolutamente não”, ressaltou Scholz. “Não pode haver guerra entre a Rússia e a Otan.”

Carta da ONU

No geral, especialistas em direito internacional concordam com Scholz. Conforme a Carta das Nações Unidas, “em suas relações internacionais, todos os membros devem abster-se de qualquer ameaça ou uso da força dirigida contra a integridade territorial ou independência política de um Estado ou de outra forma incompatível com os objetivos das Nações Unidas.” E é bastante óbvio que a Rússia violou esse mesmo preceito quando atacou a Ucrânia em fevereiro do ano passado. Neste caso, a Carta estabelece de maneira expressa que todos os países têm o direito de se defender, individual ou coletivamente.

Expressamente, isso também significa que outros países podem fornecer armas ou iniciar missões de treinamento. Não há diferenciação entre armas pesadas, como o tanque Leopard da Alemanha, ou modelos de armas mais leves. E até mesmo o destacamento de forças armadas de outros países na Ucrânia seria legítimo, de acordo com o especialista em direito internacional Markus Krajewski, da Universidade de Erlangen-Nuremberg.

“Isso porque cada tiro que a Rússia atualmente dispara na Ucrânia é uma continuação da violação do direito internacional. A Rússia só voltará a se comportar em conformidade com o direito internacional quando retirar suas tropas de volta para dentro de suas próprias fronteiras”, disse Krajewski.

Nova ofensiva

Pelo contrário: especialistas esperam uma ofensiva dos russos já no início do ano. “A Rússia aproveitou o inverno para avançar na mobilização e no treinamento de soldados russos e para tratar do fornecimento de munição e material”, disse o deputado Roderich Kiesewetter especialista em defesa do partido conservador União Democrata Cristã (CDU).

“A Ucrânia mal conseguiu compensar suas perdas materiais. Os veículos blindados e os tanques de batalha, a artilharia e as entregas de munição irão, portanto, inicialmente apenas compensar esta desvantagem flagrante. Além das altas perdas de material, principalmente de tanques, quase não há munição e peças de reposição para os modelos soviéticos. A troca para modelos e cadeias logísticas ocidentais é, portanto, inevitável”.

Declarações

Na última semana, com o intuito de pedir a coesão dos aliados ocidentais, ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerboc, se dirigiu aos membros do Conselho da Europa em Estrasburgo com as seguintes palavras: “Estamos travando uma guerra contra a Rússia e não uns contra os outros”. Tal declaração caiu como uma luva para a propaganda de guerra da mídia estatal russa: como prova de que a Alemanha e os outros países da UE são partes diretas do conflito na Ucrânia e estão lutando contra a Rússia.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, exigiu uma explicação do embaixador alemão em Moscou sobre as declarações “contraditórias” de Berlim, argumentando que, “por um lado, a Alemanha declara que não faz parte do conflito na Ucrânia e, por outro, Baerbock diz que os países da Europa estão em guerra com a Rússia. Será que eles mesmo entendem do que estão falando?”, escreveu Zakharova no aplicativo de mensagens Telegram.

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