Domingo, 16 de agosto de 2026

Quatro brasileiros são detidos na Islândia em ação contra caça de baleias

Os brasileiros Rui Amorim, 52, Vitor Young, 32, Victor Calixto, 23, e Lucas Barbosa, 28, estão presos na Islândia desde o dia 30 de julho. Eles participaram da campanha internacional Operation 86 contra caça comercial de baleias no país nórdico.

A missão é mobilizada pela Captain Paul Watson Foundation, grupo voltado à proteção da vida marinha com ações diretas no mar. Os brasileiros partiram em junho em um grupo formado por 21 ativistas de 11 países para monitorar a atividade de caça desses animais.

Segundo a ONG Sea Shepherd Brasil, fundada por Paul Watson, os ativistas interceptaram uma embarcação da única empresa da Islândia que ainda atua na comercialização de carne de baleias. Em resposta, autoridades do país teriam prendido os tripulantes em águas internacionais.

“Desde o primeiro momento, a nossa organização tem entrado em contato solicitando uma interferência [do governo brasileiro] para que fosse feita uma interface com o governo da Islândia”, disse Fernanda Perregil, advogada da Sea Shepherd Brasil.

“O que aconteceu? Foi respondido o ofício, mas sempre dizendo a situação está sendo acompanhada pelo governo brasileiro. O fato importante é que os demais tripulantes da embarcação já foram liberados”, acrescenta.

Os quatro brasileiros estão entre os últimos a serem liberados pelo governo islandês – além de outras duas pessoas da Austrália. A ONG critica o que diz ser morosidade e omissão sobre o caso por parte do governo Lula (PT) no diálogo diplomático.

O Itamaraty negou, em nota, que não tenha dado atenção necessária ao caso e destacou que, por intermédio da Embaixada do Brasil em Oslo, mantém contato com as autoridades policiais e diplomáticas islandesas e presta a assistência consular.

A Sea Shepherd Brasil protocolou no STJ (Superior Tribunal de Justiça) um mandado de segurança com pedido de liminar após sucessivas cobranças ao governo federal para solucionar as tratativas e garantir o retorno dos brasileiros detidos.

A ONG disse na sexta (14) que os quatro brasileiros serão liberados e devem regressar ao país na semana que vem. A Sea Shepherd Brasil atribuiu a medida após pressão de ativistas e a repercussão do caso na imprensa.

Eles tiveram seus celulares e outros materiais apreendidos, ainda sem devolução. Os quatro estão hospedados no barco Bandero, que atuava no monitoramento da caça, e são obrigados a se apresentarem, ao menos uma vez por dia, para autoridades islandesas.

O ativista Paul Watson, mundialmente conhecido pelo trabalho de proteção de baleias, publicou em suas redes sociais apoio aos tripulantes detidos e disse que a guarda costeira da Islândia “atuou como agentes da ICE [Serviço de Imigração e Alfândega] dos Estados Unidos”.

“A Islândia simplesmente não quer dar visibilidade às operações baleeiras de [Kristján] Loftsson, conduzidas em desrespeito à moratória internacional. A empresa exerce, ainda, influência sobre a guarda costeira e a polícia”, publicou.

Caça predatória

A espécie baleia-de-minke (Balaenoptera acutorostrata) é o principal alvo tanto na Noruega quanto da Islândia —que também caça a baleia-fin (Balaenoptera physalus), o segundo maior animal do planeta. A carne desses animais é vendida na Ásia.

Em todo o mundo, apenas Japão, Noruega e Islândia ainda permitem a captura predatória do cetáceo. Os dois países nórdicos fazem parte da Comissão Baleeira Internacional, que proíbe a prática desde 1986.

Até 2018, o Japão continuou o que chamava de “caça científica de baleias” na Antártida, ou seja, para fins de pesquisa. Mas, na verdade, era caça comercial. O país deixou a comissão em 2019 e continua a atividade contra diversas espécies de baleias em suas águas nacionais. (Com informações da Folha de S. Paulo)

 

 

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