Segunda-feira, 22 de abril de 2024

A CBF decidiu endurecer a punição aos clubes que tiverem seus torcedores envolvidos em episódios de racismo

Demorou muito, mas, enfim, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu endurecer a punição aos clubes que tiverem seus torcedores envolvidos em episódios de racismo. Era inaceitável assistir ao aumento desses casos de violência racial nos estádios sem que nada de concreto fosse feito pela entidade para coibi-los. As punições começarão a ser aplicadas já a partir do início da Copa do Brasil, no próximo dia 22.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.” Nas palavras inspiradoras de Nelson Mandela subjaz a ideia de que a educação é fundamental para que as sociedades superem ódios e preconceitos.

No mundo ideal, a educação humanitária adviria, primordialmente, do diálogo no âmbito das famílias e das escolas em torno de valores universais. Mas há vezes, porém, em que a educação de gente adulta só vem pela força sancionadora, seja do Estado, judicialmente, seja de entidades privadas, na esfera administrativa. Nesse sentido, a decisão da CBF foi correta.

Além da perda de pontos na tabela de classificação, os clubes podem ter de pagar multas de até R$ 500 mil pela incivilidade criminosa de seus torcedores. Podem ainda perder o mando de campo e ter de jogar sem a presença de sua torcida. Quem sabe esses prejuízos esportivos e financeiros impostos aos clubes não sirvam de estímulo para campanhas educacionais mais incisivas voltadas aos seus fãs violentos?

É lamentável que seja assim, mas a experiência internacional já provou que sanções administrativas impostas aos clubes, sobretudo a perda de pontos nos campeonatos, têm o condão, se não de acabar, ao menos de conter os ímpetos racistas de alguns membros mais radicais de suas torcidas.

Estádios de futebol, é óbvio, não são zonas fora do alcance da Constituição e das leis do País. As emoções suscitadas pelo esporte não autorizam ninguém a expelir seu racismo e seus preconceitos das arquibancadas. Se queremos ser uma sociedade civilizada, para começar, há que ter respeito aos direitos humanos. Não é possível tolerar o intolerável a depender do contexto em que as barbaridades ocorrem. O futebol não é um mundo à parte.

A decisão de combater o racismo nos estádios por meio da punição administrativa aos clubes – sem prejuízo da eventual persecução criminal de indivíduos, pois as súmulas dos jogos em que ocorrerem ataques racistas serão encaminhadas ao Ministério Público – foi incluída pela direção da CBF no Regulamento Geral de Competições (RGC) e apenas comunicada aos clubes, sem possibilidade de debate ou recurso. Não havia mesmo o que discutir.

Passava da hora de a CBF agir com mais rigor para conter o aumento dos casos de racismo no futebol. Muitos atletas e seus familiares sofreram a dor e a humilhação provocadas por racistas até que a entidade resolvesse se mexer. Agora é esperar que tanto a CBF como os clubes cumpram o novo regulamento com o máximo rigor, sem os tradicionais arranjos e jeitinhos do futebol.

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