Domingo, 14 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 14 de junho de 2026
Tem uma geração inteira que nunca viu o Brasil ganhar uma Copa do Mundo de futebol. Mesmo assim… a Geração Z talvez seja hoje a mais obcecada pela Copa. Segundo o Datafolha, os jovens de 16 a 24 anos são os mais interessados no Mundial de 2026.
Um levantamento global mostra que 71% dos brasileiros planejam assistir à Copa neste ano —uma parcela até acima da média global, de 59%. Mas quando a gente olha só para os homens da Geração Z no Brasil, esse número vai para cerca de 84%.
Uma geração que não viu o penta conhece os craques de 2002 e 1994 por vídeos curtos, ou até por documentários recém-lançados em grandes plataformas de streaming. Mas a relação da Gen Z com a Seleção passa também pela experiência social do futebol.
Luca Valente tinha cinco anos quando chorou diante da TV no 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil. Bel tinha oito quando se apaixonou pelo futebol na mesma Copa de 2014, mas terminou o torneio sem coragem de assistir ao fim da goleada. Esmeralda nasceu quando o penta já era passado. Para eles, a seleção brasileira nunca foi campeã, mas apenas promessa e frustração.
Na estreia do Brasil na Copa do Mundo 2026, jovens que cresceram ouvindo histórias sobre 2002 contam como é torcer para o “País do futebol”, mas que traz o último título mundial como uma lembrança emprestada dos mais velhos.
“Isso é passado de geração para geração. E essa mesma esperança que você tem hoje e a geração mais nova tem hoje foi passada de outras pessoas para ela. Então, quando ela senta para ver a Seleção, ela está repetindo o mesmo comportamento que outras pessoas tinham naquele momento de ver o jogo.
Bel Kotscho não tinha nascido na última taça brasileira. Hoje, aos 20 anos, ela está no terceiro semestre de Sports Media, curso de comunicação e esporte na Rider University, nos Estados Unidos.
A atacante que gosta de atuar pelas beiradas na universidade também comenta partidas no podcast Dibrano. Respira futebol desde pequenininha, quando mandava mensagens adocicadas sobre o São Paulo para o avô. Mesmo assim, nunca viu a seleção campeã. “O pentacampeonato parece algo real, mas distante”, resume.
A primeira lembrança dela com uma Copa é justamente a de 2014. O problema é que o torneio que despertou essa paixão também deixou uma cicatriz que não é só dela. Bel lembra que desistiu de assistir ao jogo contra a Alemanha antes do apito final – o primeiro tempo havia terminado 5 a 0.
“Lembro perfeitamente quando eu estava assistindo ao jogo na casa da minha avó. Estava 2 a 0, fui buscar uma água e quando voltei já estava 5 a 0″, completa Eduardo Barone, aluno do Ensino Médio no Colégio Porto Seguro e que se prepara para o vestibular na Alemanha.
De lá para cá, a geração dos dois coleciona eliminações. Ainda assim, a esperança sobrevive. A ausência de conquistas não produziu necessariamente distanciamento do futebol, talvez tenha produzido uma relação diferente com a seleção. E há esperança de que agora vai.
A publicitária Maria Clara Almeida, de 26 anos, resume esse sentimento mesmo sem acompanhar o futebol regularmente. Mas, quando chega a Copa, algo muda. “Eu queria muito viver esse frenesi coletivo. Não falo nem de ver o Brasil ganhar. Queria sentir o que é aquele êxtase coletivo”, diz a profissional do Cursinho Bernoulli.
Bel tem uma teoria. O Brasil foi campeão em 1970 e voltou a conquistar o título 24 anos depois, em 1994. O penta veio em 2002. Agora, em 2026, passaram-se 24 anos novamente. Está na hora de ganhar, segundos seus cálculos. “Sei que é superstição, mas gosto de acreditar que pode ser um sinal”. Com informações do Estadão e Folha de S. Paulo.