Segunda-feira, 18 de maio de 2026

A maioria das pessoas acredita em ao menos um dos 6 mitos de saúde mais comuns, mostra pesquisa

Durante anos, a teoria predominante sobre desinformação em saúde era reconfortantemente simples: tratava-se de um problema marginal, restrito a uma fatia pequena da população — os altamente partidários, os menos escolarizados, os cronicamente online. Uma nova pesquisa global abrangente desmonta essa teoria.

O Relatório Especial 2026 Edelman Trust Barometer sobre Confiança e Saúde, baseado em respostas de mais de 16 mil pessoas em 16 países, constatou que sete em cada 10 pessoas no mundo acreditam que pelo menos uma de seis afirmações amplamente desmentidas sobre saúde é verdadeira.

Entre as afirmações falsas às quais os participantes responderam “acredito que isso é verdade” estão:

• Proteína animal é mais saudável (32%)
• Flúor na água é prejudicial ou inútil para a saúde (32%)
• Os riscos das vacinas infantis superam os benefícios (31%)
• Leite cru é mais saudável do que leite pasteurizado (28%)
• Uso de acetaminofeno/paracetamol durante a gravidez causa autismo (25%)
• Vacinas são usadas para controle populacional (25%)

“É um conjunto de dados bastante impressionante”, diz Richard Edelman, CEO da empresa global de comunicação responsável pela pesquisa de cinco anos, à Fortune. A suposição comum, segundo ele, era que os céticos da ciência de saúde convencional “são os que realmente têm dúvidas sobre verdades de saúde… e não é verdade. É todo mundo.”

Os dados desmontam sistematicamente todas as explicações demográficas sobre por que as pessoas acreditam no que acreditam. Entre pessoas com diploma universitário, 69% sustentam pelo menos uma dessas crenças — quase idêntico aos 70% entre quem não tem diploma. As crenças atravessam o espectro político: 78% dos entrevistados de direita sustentam ao menos uma, mas 64% dos de esquerda também.

O padrão se repete entre faixas etárias e, de forma marcante, é mais pronunciado em países em desenvolvimento do que em países desenvolvidos. Os Estados Unidos, frequentemente vistos como epicentro da desinformação em saúde, nem sequer aparecem na metade superior dos países pesquisados.

Pesquisadores da Edelman, que acompanham os dados desde o lançamento do relatório específico de saúde em 2021, descrevem um processo de erosão social ao longo de anos que alimenta essa tendência. “Existem medos — medos cronicamente subestimados ou não abordados”, comenta Dave Bersoff, EVP e chefe de pesquisa do Edelman Trust Institute. “Isso começa a levar a uma erosão do tecido social. Surge a polarização, a polarização leva à paralisia, a paralisia leva ao ressentimento, o ressentimento leva ao isolamento.” O resultado, segundo ele, é um crescente “endurecimento” na forma como as pessoas se relacionam com quem está fora do próprio grupo — um tribalismo mais rígido que torna a confiança entre linhas de crença cada vez mais difícil.

“Acho que muito do que estamos vendo hoje é esse endurecimento do tribalismo”, acrescenta Bersoff. “Essa ideia de que não posso confiar em ninguém que não seja como eu; então qualquer pessoa que não seja como eu em crenças, valores ou origem cultural é imediatamente vista com desconfiança, porque acredito que quer tirar o que mereço ou que qualquer ganho dela vem às minhas custas. É uma forma muito negativa e amarga de interagir com o mundo, e vemos muito disso hoje.”

Colapso da confiança

A crise da desinformação está se somando a outra emergência relacionada: uma perda dramática de confiança na própria capacidade das pessoas de tomar decisões de saúde. A confiança pública em encontrar respostas confiáveis e tomar decisões informadas caiu 10 pontos percentuais em apenas um ano, para apenas 51% — com quedas estatisticamente significativas em 14 dos 16 países pesquisados. Ao mesmo tempo, a confiança na mídia para cobrir temas de saúde com precisão permanece 11 pontos abaixo do nível pré-covid, em apenas 46% globalmente.

“As pessoas estão sobrecarregadas de informação, e não tenho certeza se conseguem diferenciar uma fonte da outra”, diz Edelman. “Existe uma espécie de igualdade entre as fontes.” O problema, ele e colegas fazem questão de enfatizar, não é falta de informação — é o oposto.

IA ocupa o vácuo

Nesse vácuo, a inteligência artificial (IA) está expandindo rapidamente sua presença. Para ter ideia, 35% dos entrevistados no mundo já usam IA para gerenciar a própria saúde de alguma forma — e 64% acreditam que alguém fluente em IA pode executar pelo menos uma tarefa médica tão bem quanto, ou melhor que, um médico treinado, incluindo determinar tratamento ou medicação (21%) e diagnosticar doenças (17%).

A migração para a IA e o autocuidado não ocorre isoladamente — é, em grande parte, uma resposta racional a um sistema que milhões de americanos sentem ter falhado. A confiança pública no sistema de saúde dos EUA caiu de 71,5% em 2020 para 40,1% em 2024, segundo pesquisa da Johns Hopkins University.

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