Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 26 de agosto de 2026
“Nós percebemos que há um grande desconhecimento em relação à acessibilidade hoje na sociedade. Por exemplo, calçadas ocupadas desordenadamente por placas, postes, mesas, patinetes elétricos e outros riscos à circulação de pessoas com deficiência, em especial deficiência visual”, afirmou o advogado Airton Leão, um dos palestrantes convidados para o Fórum das Pessoas com Deficiência, promovido pelo Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, o COMDEPA, realizado no Espaço da Convergência, na Assembleia Legislativa. O Conselho, presidido por Cristina Mazuhy Antunes Xerxenesky, da Federação Rio-grandense de Entidades de e para Cegos (FREC), tem o objetivo de deliberar e fiscalizar políticas de atendimento nas áreas da educação, saúde, trabalho, assistência social, transporte, cultura, desporto, lazer e acessibilidade.
Deficiente visual critica a ausência de propostas objetivas nos discursos políticos
Airton Leão, que é advogado, servidor público e deficiente visual, utiliza um cão-guia nos seus deslocamentos rotineiros e criticou a ausência de propostas objetivas no discurso político até aqui:
“Não percebemos nos discursos dos candidatos, dos partidos, essa preocupação com um segmento tão significativo da sociedade, que acaba sendo posto praticamente como um etcétera”, criticou.
Citou casos que fazem parte da rotina de pessoas com deficiência, em especial quem utiliza cão-guia, como “negativas de transporte em táxi, em plataforma de aplicativo são constantes”. Mencionou que já teve várias vezes “a recusa de motoristas que se negaram a nos transportar porque diziam que não carregariam o cão-guia, e que não estavam obrigados a isso”, desconhecendo que existe lei federal regulamentada por um decreto (Lei 11.126/2006, Decreto 5.904/2005) que estabelecem o direito de acesso do cão-guia a qualquer espaço público ou privado de uso coletivo, abrangendo inclusive os meios de transporte.
Airton Leão compara os números, indicando que, no Brasil, para uma população de 210 milhões de pessoas, existem em torno de 7 milhões de pessoas com deficiência visual, abrangendo a cegueira e baixa visão. No entanto, existem apenas 220 cães-guia disponíveis, sendo 15 no Rio Grande do Sul. Fazendo uma comparação com os Estados Unidos: lá, os dados indicam haver 8 milhões de pessoas com deficiência visual e 10 mil cães-guia.
“No nosso caso, é um percentual ínfimo diante da sociedade brasileira. A maior parte das pessoas com deficiência visual, mesmo que queiram um cão-guia, não consegue. Eu tive de esperar na fila por cerca de cinco anos para conseguir o meu cão-guia”, comentou.
Congresso vai votar a MP que acaba com a “taxa das blusinhas”
Acreditando que isso dá votos, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), após um acordo com o presidente Lula, anunciou que os senadores vão deliberar na semana que vem sobre a Medida Provisória que acaba com a chamada “taxa das blusinhas”. A medida precisa ser votada até o dia 8 de setembro, caso contrário perde validade, e o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50 volta a vigorar. Ontem, os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Hugo Motta, firmaram acordo com o presidente Lula para destravar esse e outros projetos de interesse eleitoral.
A MP que acaba com a “taxa das blusinhas” extingue 109 mil empregos, diz a CNI
Existe o outro lado dessa questão: se for mantida a Medida Provisória que extingue a “taxa das blusinhas”, o país pode perder, com o fim da chamada “taxa das blusinhas”, cerca de 109 mil empregos e a geração de cerca de R$ 21,8 bilhões em produção doméstica em 2026, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Assim, a manutenção dessa isenção para produtos importados é lesiva aos industriais e varejistas do país. Mas, para quem pensa apenas em garantir a eleição, pouco importa a extinção de 109 mil empregos.
Eduardo Bolsonaro segue firme na campanha para reeleger Lula
No momento em que Flávio Bolsonaro começa a crescer novamente nas pesquisas, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro volta a promover movimentos que favorecem a reeleição de Lula. Ontem, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, voltou a pedir ao seu irmão que se controle e reduza os ataques públicos a aliados durante a campanha eleitoral. O telefonema para Eduardo, que mora nos Estados Unidos, ocorreu depois que ele compartilhou e endossou, no último domingo, um vídeo com críticas à candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal.
Ministério Público Eleitoral pediu impugnação de 13 candidatos no RS
O Ministério Público Eleitoral pediu, até agora, a impugnação de 13 candidatos nas eleições deste ano no Rio Grande do Sul. Como a impugnação não produz efeito imediato, todos seguem candidatos, mas o registro ainda será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral. São seis candidatos a deputado federal, seis candidatos a deputado estadual e um candidato ao Senado:
* Apoena Ribeiro Medeiros – deputado estadual – Podemos (Pode)
* Arilto Jorge de Almeida – deputado estadual – União Progressista (União/PP)
* Carlos Adriano Silveira Carneiro – deputado estadual – PSD
* Edivilson Meurer Brum – deputado estadual – MDB
* Robert Brocca Peres – deputado estadual – Federação PSDB Cidadania (PSDB/CIDADANIA)
* Evaristo Pinheiro Righetto – deputado estadual – Republicanos
* Ary José Vanazzi – deputado federal – Federação Brasil da Esperança (PT/PC do B/PV)
* Marcia Regina Winter – deputada federal – Democrata
* Marta Dina Vieira Alvarez da Rocha – deputada federal – Avante
* Paulo Afonso Bregolin de Azevedo – deputado federal – PSB
* Daniel Elias de Souza Junior – deputado federal – Democrata
* Aiesa Carolina de Souza Pedroso – deputada federal – Solidariedade
* Ricardo Herbert Jones – senador – Partido da Causa Operária (PCO)
Alexandre Grendene Bartelle é o maior doador nesta campanha eleitoral
Com o auxílio de inteligência artificial sob supervisão humana, o jornal Valor analisou mais de 10 mil doações registradas a partir de 30 de julho por mais de 9 mil pessoas físicas, que foram declaradas no sistema do TSE para as eleições 2026. O maior doador entre os bilionários, até agora, é Alexandre Grendene Bartelle, que aparece com R$ 3 milhões em contribuições. O empresário destinou R$ 500 mil para a campanha de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará e outros R$ 2,5 milhões para Luciano Zucco (PL), candidato ao governo do Rio Grande do Sul. (Por Flavio Pereira – @flaviorrpereira)