Quarta-feira, 20 de maio de 2026

A solução odiada

Nem bem começaram as discussões sobre jornada de trabalho no Brasil e rapidamente foi possível perceber a conduta previsível das correntes ideológicas que hoje se antagonizam em nosso país.

De um lado a busca pela eficiência adequada somada à realidade econômica brasileira que ostenta uma das mais altas cargas tributárias do mundo, associada a um índice de corrupção jamais visto na história do Brasil.

Do outro lado a busca pelo apelo populista e fácil do “coitadismo” que em ano eleitoral deforma conceitos e cria um caldo de cultura política que busca apenas o poder como um fim em si mesmo, mesmo que isso custe caro ao brasileiro comum.

No meio dessa discussão, a busca por uma alternativa racional é sempre marcada por questionamentos quando atinge o princípio adotado por um dos lados.

Economias pujantes e sólidas tratam o rendimento laboral como algo sagrado que move todo o processo estrutural de crescimento, alicerçado em distribuição justa de renda em harmonia com os índices de produtividade que, no final, se refletem no salário.

Nessa esteira, a proposta que colocaria um fim a essa discussão e resolveria, inclusive, parte do problema da renda mensal parece provocar calafrios em quem se diz defensor do trabalho e do trabalhador.

O salário-hora no Brasil é uma mera referência administrativa e demonstra o quanto ainda estamos atrasados nas relações capital e trabalho. O pagamento por hora trabalhada proporciona ao cidadão a liberdade de trabalhar quando e nos dias que quiser bastando encontrar empresas, e a maioria apoia a ideia, e com elas negociar sua carga horária.

Isso funciona na maioria dos países desenvolvidos e proporciona ao trabalhador a possibilidade de uma renda maior com multiempregos e maior valorização por capacitação profissional.

Sem assistencialismos e dando o poder de seus ganhos de forma absoluta ao trabalhador, o salário-hora muda a chave das jurássicas leis trabalhistas brasileiras que por um lado amarram a força de trabalho e, por outro, destroem empresas com sentenças absurdas e delirantes oriundas da justiça do trabalho.

O discurso pronto de dano ao trabalhador é vazio diante da realidade que cada vez mais cobra desempenho e produtividade, afastando o oportunismo falsamente utilizado como proteção e que, na verdade, reflete apenas o interesse de corporações e seus dirigentes.

E que raramente trabalham.

* Gustavo Victorino, deputado estadual, advogado, jornalista e radialista

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