Segunda-feira, 22 de junho de 2026

Ainda não se sabe se as explicações do senador Jaques Wagner serão suficientes para mantê-lo na liderança do governo no Senado

De todas as explicações do senador Jaques Wagner (PT-BA), em entrevista à BandNews, a mais frágil é aquela sobre o apartamento de R$ 2,45 milhões. Ele disse que pediu para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, adquiri-lo porque a unidade ainda estava em construção e a filha o recompraria, com sua ajuda, assim que vendesse o apartamento em que morava.

A versão do senador pode vir a ser comprovada ou não, mas o que parece inexplicável é que o líder do governo no Senado, em novembro de 2024, momento em que o Master já mostrava problemas de liquidez, tenha feito semelhante pedido a um sócio do banco.

Que vai manter a candidatura à reeleição, parece crível. Um de seus rivais, João Roma (PL), ex-ministro de Jair Bolsonaro e candidato na chapa de ACM Neto, tem uma relação ainda mais próxima com o Master. O outro, Angelo Coronel (Republicanos-BA), que disputa a reeleição, foi incluído em auditorias da CGU sobre a falta de transparência em emendas. Além disso, na conquista do atual mandato, Wagner também foi alvo de busca e apreensão sob a acusação de ter desviado recursos da construção do estádio Fonte Nova, na Bahia. A denúncia foi arquivada.

Sobre os dólares encontrados em seu apartamento, disse terem sido decorrentes das diárias pagas pelo Senado para a participação em eventos no exterior relativos a seu mandato. Mandou fazer levantamento que indicaria US$ 70 mil em diárias. Foram encontrados US$ 55 mil, além de € 33 mil. As diárias no Congresso, de fato, são pagas em espécie.

Falou ainda que esteve duas vezes com Vorcaro, quando ele se associou a Augusto Lima e quando o apresentou a Ricardo Lewandowski para que integrasse sua assessoria jurídica. Fez questão de dizer que não o apresentara ao ex-ministro Guido Mantega nem participara da reunião que este promoveu para apresentar Lula a Vorcaro no Palácio do Planalto. Ou seja, lavou as mãos da responsabilidade de ter aproximado o personagem mais tóxico da República do presidente.

O discurso mais recorrente de governistas em resposta à operação da PF é o de que o episódio comprova a completa independência da PF. A situação, de fato, não era esta no governo Jair Bolsonaro, como o ex-juiz e hoje senador Sergio Moro (União-PR) contou antes de voltar para o colo da família.

Se Lula se distancia de Bolsonaro, se aproxima da ex-presidente Dilma Rousseff. Até constrangimento fiscal já apareceu de novo. Lula foi empurrado a gravar uma declaração de apoio à reeleição do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), depois de ter se comprometido com a postulação do ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). No dia seguinte, o TCU, presidido pelo irmão de Veneziano, Vital do Rêgo Filho, aprovou as contas do governo.

Os ecos da Lava-Jato, que já invadiam Brasília, acabaram por dominar a política com a deflagração da operação desta quinta. Assim como Dilma, Lula diz que as investigações têm que ir até o fim e quem tiver que responder que o faça. A revelação de que o senador mais próximo do presidente da República prestou favores e recebeu benefícios do grupo Master traz desconforto eleitoral, mas o embaraço é, sobretudo, político.

Dilma não quis intervir na Lava-Jato e esta postura, em grande parte, custou seu mandato. Lula, mesmo que quisesse, não pode fazê-lo. O ministro André Mendonça isolou a cúpula da PF do caso. Enquanto as investigações se restringiam ao Centrão, este isolamento beneficiou Lula Agora que chegaram a um dos seus, o imobilizou.

Veja-se, por exemplo, a desenvoltura com a qual o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comentou o episódio. Embarcou no discurso da presunção de inocência, mas fez questão de dizer que esta não tem sido respeitada pelo PT quando os achados avançam sobre a oposição.

As analogias entre Wagner e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) se imporão. Ciro foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro. Wagner, no governo Dilma. Ciro assinou a emenda Master, Wagner, no governo passado, a emenda à MP que ampliava o crédito consignado para beneficiários do BPC, que alavancou o Master.

A generosidade de Vorcaro com Ciro se deu em outra escala e num momento em que o banqueiro articulava abertamente para sair da arapuca em que havia se metido, mas a comparação será inevitável. Um foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro, o outro, de Dilma Rousseff. Neste cargo, Wagner viveu toda a agonia da ex-presidente. Conhece o drama de um Palácio do Planalto cercado de pressões e chantagens – o bastante para não ter contribuído para uma reprise. Com informações do portal Valor Econômico.

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Na eleição presidencial de 2018, Jaques Wagner era a primeira opção de Lula, que estava preso, para assumir a candidatura presidencial em seu lugar
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