Quarta-feira, 15 de julho de 2026

Alto volume de chuvas, temporais frequentes e ventos intensos: o pior fenômeno El Niño da história já começa a mostrar sua força no RS nesta semana

A mais intensa versão já registrada do fenômeno climático El Niño começará a mostrar sua força no Rio Grande do Sul já no final desta semana, com grandes volumes de chuva, temporais frequentes e ventos intensos. Conforme a empresa MetSul Meteorologia, o mapa do Estado está prestes a ingressar em um período de instabilidade que deve durar vários dias.

“O evento está apenas no início, evidenciando a ruptura de um inverno frio para menos frio e mais chuvoso, com tempestades”, ressalta a meteorologista Estael Sias. “Conhecedores dos efeitos do El Niño, os gaúchos terão uma amostra, até a semana que vem, do que o fenômeno trará nos próximos meses, com excesso de chuva e temporais que, isoladamente, podem ser fortes a severos, com vento e granizo, alagamentos e cheias de rios.”

Ela detalha que as condições no Oceano Pacífico atingiram em julho o patamar de “Super El Niño”, de um modo jamais registrado tão cedo em relação ao período do ano. Pelo índice da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), a anomalia na temperatura de determinada região do mar alcançou elevação de 2ºC.

“Em 1997-1998 essa marca foi atingida somente em setembro, ao passo que em 1982-1983, 2015-2016 e 2023 isso ocorreu entre setembro e novembro”, contextualiza. “A maioria dos modelos climáticos projeta intensificação adicional, com anomalias entre +3ºC e +4ºC nos próximos meses.”

Em informe publicado no site metsul.com, Estael acresenta que a segunda metade do outono e as primeiras semanas do inverno apresentaram no Rio Grande do Sul um padrão que mais lembrou o fenômeno La Niña que o El Niño, com muito frio e persistência de baixas temperaturas, acompanhadas de chuva aquém do normal nessa área do continente:

“Esse padrão agora deve mudar, com frio menos frequente, mais chuva e maior ocorrência de temporais, porque o padrão geral de circulação da atmosfera começa a refletir o superaquecimento das águas do Pacífico”.

Implicações globais

Seu colega Luiz Fernando Nachtigall, também da Metsul, comenta que um aquecimento dessa ordem em região oceânica tão extensa como a verificada representa uma mudança gigantesca na quantidade de calor armazenada no Pacífico tropical. E esse fator tem potencial para provocar alterações profundas na circulação atmosférica global:

“Caso tais previsões se confirmem, o El Niño de 2026 poderá modificar significativamente padrões climáticos em diversas regiões do planeta. Historicamente, episódios muito fortes desse tipo costumam alterar a distribuição das chuvas, favorecer enchentes em algumas áreas e secas severas em outras, aumentar a frequência de ondas de calor e influenciar a atividade de ciclones tropicais em diferentes oceanos”.

Ele ressalva que ainda restam alguns meses até o esperado pico do fenômeno, portanto novas atualizações de modelos serão fundamentais para confirmar se o Pacífico realmente caminha para o mais intenso El Niño já observado desde o início das medições. “Mas já é uma certeza que será um El Niño histórico, com probabilidade cada vez maior de se tornar o mais intenso já visto em tempos modernos”, finaliza.

(Marcello Campos)

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