Sábado, 29 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 29 de agosto de 2026
Anéis inteligentes e smartwatches vendidos com a promessa de acompanhar diferentes aspectos da saúde estão se tornando cada vez mais populares entre os consumidores. Os dispositivos podem fornecer informações sobre sono, frequência cardíaca, atividades físicas e outros indicadores do organismo. No entanto, um novo alerta divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que esses aparelhos não devem ser utilizados para diagnosticar doenças ou substituir a avaliação de profissionais de saúde.
Segundo a agência, as informações apresentadas por dispositivos vestíveis podem ser úteis para o acompanhamento do bem-estar, mas precisam ser interpretadas com cautela. Um alerta emitido pelo aparelho, por exemplo, não representa necessariamente a existência de um problema de saúde e não deve ser considerado suficiente para confirmar um diagnóstico.
“As informações fornecidas por um anel inteligente não devem ser usadas para confirmar ou descartar uma doença, definir tratamentos, alterar medicamentos ou substituir exames e avaliações realizados por profissionais de saúde. Um alerta ou indicador apresentado pelo dispositivo não significa, por si só, que a pessoa esteja doente. Da mesma forma, resultados considerados ‘normais’ pelo aparelho não garantem que não exista qualquer problema de saúde”, diz o alerta da agência.
A Anvisa também chama a atenção para a diferença entre produtos desenvolvidos com finalidade médica e dispositivos voltados ao bem-estar. Quando um equipamento é classificado como produto médico, ele precisa passar pelos processos de regularização previstos pela agência antes de ser disponibilizado ao público.
Ainda, segundo a agência, essa regularização garante que tais produtos tenham a precisão necessária para que o usuário ou profissional de saúde tome decisões.
No caso de muitos anéis inteligentes disponíveis no mercado, a finalidade principal não é médica. Os dispositivos costumam ser apresentados como acessórios para acompanhar hábitos cotidianos, incentivar a prática de exercícios físicos e fornecer dados relacionados ao bem-estar e à rotina dos usuários.
“Em geral, anéis inteligentes não são desenvolvidos pelos fabricantes com finalidade médica, mas sim como acessórios de bem-estar e apoio a atividades esportivas. Neste caso e se não medirem parâmetros fisiológicos de uso tipicamente clínico, não são considerados produtos médicos sujeitos à regularização”, diz comunicado da autarquia.
Outro ponto destacado pela Anvisa envolve funcionalidades que aparecem com frequência nas promessas de alguns dispositivos comercializados no mercado. A agência afirma que não existem smartwatches ou anéis vestíveis autorizados pela Anvisa para realizar a medição não invasiva de glicose ou oximetria.
A orientação é especialmente importante porque resultados apresentados por esses aparelhos podem levar usuários a conclusões equivocadas sobre a própria condição de saúde. Por isso, alterações percebidas em indicadores ou sintomas devem ser avaliadas por profissionais capacitados.
“Ou seja, a capacidade técnica destes produtos de oferecer a medição destes parâmetros ainda não foi comprovada pelos fabricantes”, destaca, em nota.
Assim, embora os dispositivos possam funcionar como ferramentas complementares para o acompanhamento de hábitos e atividades, a Anvisa reforça que eles não substituem consultas, exames clínicos ou outros métodos utilizados para diagnóstico e acompanhamento médico. (Com informações do jornal O Globo)