Quinta-feira, 02 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 1 de julho de 2026
Desde que divulgou uma “nota de esclarecimento” para informar que decidiu deixar o comando do PL Mulher, Michelle Bolsonaro fez questão de republicar no seu perfil no Instagram 12 posts de aliadas de diversos Estados expressando gratidão e reconhecimento a ela, em meio à crise com Flávio Bolsonaro.
Dentre as republicações da ex-primeira-dama — que não compareceu à reunião de Flávio Bolsonaro na manhã dessa quarta-feira (1º) com lideranças femininas do partido, em Brasília — estão postagens de apoio das presidentes do PL Mulher de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará e Roraima, além de parlamentares e lideranças de São Paulo, Piauí, Amazonas e Distrito Federal.
Em um dos posts, Michelle é descrita como “uma líder que fez história”.
Celebração
A saída de Michelle do PL Mulher foi celebrada por lideranças do PL e parte dos parlamentares. A ex-primeira-dama vinha acumulando desafetos, especialmente entre deputados e deputadas federais que não haviam sido apadrinhados por ela.
A queixa central era que os candidatos respaldados por Michelle em suas campanhas seriam, em geral, mais competitivos dentro do próprio PL do que aqueles que não faziam parte do grupo de agraciados pela esposa de Jair Bolsonaro. Os apelos para que Michelle apoiasse mais candidaturas chegaram às lideranças do PL, mas ela deixava claro que a escolha era exclusividade dela.
As queixas, que antes circulavam de forma reservada, cresceram após Michelle publicar um vídeo com críticas a Flávio Bolsonaro na semana passada. De salvadora, ela passou a ser vista como um “problema” dentro do partido. As lideranças mudaram o discurso sobre ela, que antes era considerada peça-chave para a campanha presidencial, mas agora incomoda a cúpula.
“Se ela vai trabalhar para desagregar, é melhor que fique distante”, disse à coluna um integrante da cúpula do PL, que já defendia a saída dela do PL Mulher.
A avaliação de grande parte da legenda é que não havia mais clima para que Michelle permanecesse no comando, a menos que abraçasse a campanha de Flávio Bolsonaro.
O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, entretanto, vinha defendendo a necessidade de pacificar os ânimos e destacava Michelle como peça central, especialmente nas eleições do Distrito Federal. O plano do PL é lançar a ex-primeira-dama ao Senado pelo DF, na chapa da governadora Celina Leão e ao lado de Bia Kicis.
Valdemar e Michelle tiveram uma conversa dura. A ex-primeira-dama estava de cabeça quente e chegou a ameaçar se desfiliar do PL. Depois de conversas com aliados, decidiu adiar a decisão. (Com informações dos colunistas Lauro Jardim e Bela Megale, do jornal O Globo)