Sábado, 25 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 25 de julho de 2026
Mais de um terço das residências americanas utiliza fogões a gás natural para preparar refeições.
A queima de gás natural libera dióxido de carbono, principal responsável pelas mudanças climáticas, além de dióxido de nitrogênio e outros poluentes que comprometem a qualidade do ar interno e podem irritar os pulmões. Pessoas com doenças respiratórias, como os 28 milhões de americanos com asma, são especialmente vulneráveis. Uma análise de mais de 40 estudos encontrou associação entre níveis de dióxido de nitrogênio e agravamento dos sintomas da asma.
Um estudo investigou se a substituição de fogões a gás por modelos elétricos poderia melhorar o controle da asma.
Estudo
A pesquisa envolveu 85 adultos e crianças com asma de difícil controle que viviam em residências com fogões a gás. O controle da doença foi avaliado por meio de um questionário sobre sintomas, limitações nas atividades diárias e uso de medicamentos de resgate.
Os fogões a gás foram removidos, as tubulações vedadas e substituídos gratuitamente por fogões elétricos de indução, escolhidos por serem mais rápidos, seguros e fáceis de limpar. Os participantes responderam novamente ao questionário dois a três meses após a troca. Também foram monitorados os níveis de dióxido de nitrogênio no ambiente antes e depois da substituição.
Sintomas
Após a troca dos fogões, as melhorias foram comparáveis ou superiores às observadas em estudos com medicamentos para asma. Em média, os participantes passaram de sintomas moderados para leves. As visitas ao pronto-socorro e as internações caíram 70%, enquanto as faltas ao trabalho e à escola diminuíram cerca de 80%. Os níveis internos de dióxido de nitrogênio também foram reduzidos em 70%.
Os resultados indicam que substituir fogões a gás por elétricos pode melhorar significativamente o controle da asma. Além disso, 98% dos participantes relataram satisfação com os fogões de indução, contra 41% em relação aos modelos a gás.
O estudo, porém, teve limitações: contou com poucos participantes, acompanhados por apenas alguns meses, não incluiu pessoas com sintomas leves nem um grupo de comparação que mantivesse fogões a gás.
Possíveis obstáculos
O custo da substituição ainda representa um desafio, principalmente para famílias de baixa renda. Em residências americanas mais recentes, um fogão elétrico com instalação custa cerca de US$ 1.500. Como muitas casas do estudo eram antigas, foi necessário investir, em média, US$ 7.000 por residência para adequar a rede elétrica.
Mesmo assim, a redução de gastos com internações e atendimentos de emergência pode justificar programas públicos ou de planos de saúde para subsidiar essa troca. Em países em desenvolvimento, além do custo inicial, instalações elétricas precárias e redes de energia instáveis dificultam a adoção.
No Equador, um programa governamental subsidiou, entre 2015 e 2021, a substituição de fogões a gás por modelos de indução em 750 mil residências — cerca de 10% dos domicílios do país — e a iniciativa foi associada à redução das internações por doenças respiratórias.
A troca do fogão não substitui o tratamento da asma nem beneficia todos os pacientes. O acompanhamento médico, o uso correto dos medicamentos e a redução da exposição a outros gatilhos, como fumaça de cigarro, ácaros, pólen e infecções respiratórias, continuam sendo fundamentais.
Ainda assim, cerca de 80% dos participantes apresentaram melhora significativa, indicando que a substituição do fogão pode ser uma estratégia complementar para pessoas com asma de difícil controle. Médicos podem orientar pacientes sobre os riscos associados aos fogões a gás, e construtoras, proprietários e gestores de restaurantes podem considerar esses impactos ao escolher os equipamentos de cozinha.