Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 19 de junho de 2026
Nesta sexta-feira (19), por meio de seu Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (Nupve), o Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou operação contra crimes virtuais de aliciamento e extorsão (chantagear alguém para obter vantagem). O alvo é um jovem de 19 anos, morador de Xanxerê (SC) e que usou redes sociais para se aproximar de uma garota de 12, residente no município de Carazinho (Noroestre do Estado)
A ofensiva contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina. Conforme o procurador de Justiça Fábio Costa Pereira e o promotor Leonardo Rossi, responsáveis pela investigação, o rapaz estabeleceu vínculo de confiança para depois exigir conteúdos íntimos e outros atos por parte da adolescente, mediante ameaças.
“O investigado praticou atos conhecidos no ambiente digital como ‘grooming’ [manipulação para obtenção de imagens íntimas], ‘doxing’ [ameaça de divulgação de dados pessoais] e ‘stalking’ [perseguição contínua]”, detalham.
As ordens de busca foram cumpridas na cidade catarinense, com o objetivo de coletar provas e aprofundar a investigação. Dentre os itens apreendidos estão celulares, computadores, cadernos, desenhos e livros associados a ideologias nazistas e cultos satanistas.
O trabalho de extração e análise de dados do material é decisivo para dimensionar a extensão dos crimes – há indicativos a respeito de outras vítimas. As provas obtidas devem contribuir para o embasamento do processo de responsabilização do autor perante a Justiça.
Similaridade
Ainda nesta semana, uma operação conjunta entre o MPRS e a Polícia Civil do Paraná resultou na prisão preventiva de outro investigado de 19 anos, porém gaúcho, pelo mesmo tipo de crime. Ele teria utilizado a internet para cometer abusos sexuais contra uma adolescente de 13, moradora de Pato Branco (PR).
O jovem estava em sua residência, no município de Gravataí (Região Metropolitana de Porto Alegre), onde também foi cumprido mandado de busca. Agentes do MPRS atuaram no monitoramento e identificação do suspeito, além na localização da residência. Eles participaram, ainda, do cumprimento das ordens judiciais.
Segundo a apuração, o suspeito teria cometido estupro de vulnerável em ambiente virtual, coação para produção de material de abuso sexual infantojuvenil, induzimento à automutilação e dano psicológico à vítima. O caso chegou ao conhecimento das autoridades no final de maio, após a garota desabafar sobre a situação com professores da escola onde estuda.
A partir dessas informações, foram realizadas diligências que permitiram identificar o possível autor dos crimes e decretadas pela Justiça as medidas contra o investigado. Dentre os itens recolhidos estão telefone celular e computadorm, que passarão por perícia técnica para extração e análise de dados. O jovem foi encaminhado ao sistema prisional do Rio Grande do Sul.
(Marcello Campos)