Terça-feira, 04 de agosto de 2026

Estados Unidos anunciam exercícios militares com Brasil e falam em “eliminar ameaças”

O Exército dos Estados Unidos anunciou uma nova etapa de sua estratégia de combate ao narcotráfico na América Latina, com a mudança de nome da operação militar conduzida na região e o início de exercícios conjuntos com forças armadas de 18 países, entre eles o Brasil. A iniciativa faz parte da política de segurança adotada pelo governo do presidente Donald Trump em seu segundo mandato, marcada pelo endurecimento das ações contra cartéis de drogas e pela ampliação da presença militar norte-americana no Hemisfério Ocidental.

Segundo o Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom), a antiga Operação Lanças do Sul passa a se chamar Força-Tarefa Conjunta Hemisfério Ocidental (Joint Task Force Western Hemisphere). De acordo com os militares norte-americanos, a mudança representa uma nova fase da campanha iniciada em 2025 para combater organizações criminosas transnacionais ligadas ao tráfico de drogas.

Em comunicado, o Southcom afirmou que a nova força-tarefa buscará “aplicar pressão sistêmica total” sobre os cartéis e “eliminar todas as ameaças” à segurança regional, sem detalhar quais grupos ou países poderão ser alvo das operações. A fase anterior da campanha incluiu ações de interceptação marítima no Caribe e operações que culminaram na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.

O anúncio ocorre poucos meses após Washington lançar a Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis, formada por 16 países latino-americanos. O objetivo declarado da iniciativa é ampliar a cooperação internacional para enfraquecer organizações criminosas que atuam no tráfico de drogas e em outros crimes transnacionais. O Brasil não integra essa coalizão.

A estratégia faz parte da política externa adotada por Trump desde o início de seu segundo mandato. O governo norte-americano tem defendido uma atuação mais contundente contra os cartéis e já afirmou que poderá utilizar instrumentos militares para enfrentar organizações criminosas consideradas ameaças à segurança dos Estados Unidos. A Casa Branca também tem associado essa política ao objetivo de reduzir a influência de potências como China e Rússia na América Latina.

Paralelamente, o Comando Sul confirmou o início dos exercícios militares Panamax 26, realizados no Canal do Panamá e em áreas próximas entre os dias 4 e 13 de agosto. Segundo os Estados Unidos, o treinamento tem como objetivo fortalecer a cooperação entre países parceiros, garantir a segurança do Canal do Panamá e ampliar a capacidade de resposta contra o narcoterrorismo e outras ameaças à estabilidade regional.

Além dos Estados Unidos e do Panamá, participarão das manobras militares forças armadas de outros 18 países, incluindo o Brasil. Tradicionalmente promovido pelos dois países, o exercício passa, nesta edição, a contar com um número maior de participantes. Também integram o treinamento nações como México, Holanda e Reino Unido, que, assim como o Brasil, não fazem parte da Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis.

Em nota, o Comando Sul afirmou que os países participantes compartilham “uma determinação comum de detectar, interromper e derrotar ameaças existentes e emergentes em nosso hemisfério”. Apesar da cooperação militar, os governos envolvidos mantêm posições políticas distintas em relação à estratégia defendida por Washington, especialmente no caso de Brasil e México, que não aderiram formalmente à coalizão criada pelos Estados Unidos para o combate aos cartéis.

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