Sexta-feira, 24 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 22 de abril de 2026
A Justiça gaúcha decretou nessa quarta-feira (22) a prisão preventiva de um bombeiro de 41 anos, por importunação sexual de uma mulher dentro de ônibus-leito interestadual que trafegava por trecho da rodovia federal BR-290 próximo a Cachoeira do Sul (Vale do Jacuí). Solicitada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a medida levou em conta a gravidade do fato, o risco de reincidência e a garantia de ordem pública.
O passageiro havia embarcado no coletivo em Bagé (Fronteira-Oeste) com destino a Porto Alegre. Narrativas divulgadas pela imprensa divergem dessa informação, divulgada no portal do MPRS (mprs.mp.br), relatando que o trajeto teve como origem a Estação Rodoviária de Porto Alegre, rumo a Dom Pedrito (também na Fronteira-Oeste).
A vítima, de 34 anos, contou que em determinado momento da madrugada dessa quarta, uma passageira de 34 anos acordou ao perceber que estava sendo tocada intencionalmente em um dos seios pelo homem, vestido com farda do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBM-RS).
Ela denunciou imediatamente o fato ao motorista. A Brigada Militar (BM) foi acionada e realizou abordagem ao suposto abusador, que teve sua arma-de-fogo recolhida antes de ser encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Cachoeira do Sul para depoimento. Optou, porém, pelo silêncio.
Em seguida, foi submetido a audiência de custódia na 1ª Vara Criminal da Comarca de Cachoeira do Sul, que converteu o flagrante em preventiva, considerando-se indícios de autoria, prova da materialidade e registro de outro processo criminal – em tramitação – por fato semelhante. O Bombeiro está agora em uma cela no Presídio Policial Militar da capital gaúcha.
Já a mulher foi mantida sob proteção da BM enquanto aguadava na estrada a passagem de outro ônibus a fim de continuar a viagem. Não há informações sobre sua profissão, município de residência ou outros detalhes.
Manifestações
Pelo Ministério Público, o promotor Átila Castoldi Kochenborger ressaltou que o órgão atua com rigor na repressão desse tipo de crime e lamenta profundamente o “grave e reprovável episódio”. Ele prosseguiu:
“Reafirmamos seu compromisso institucional com a defesa da liberdade e da dignidade das mulheres, atuando para a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização penal do autor, sempre com observância do devido processo legal”.
Por meio de nota à imprensa, o Corpo de Bombeiros Militar garantiu que a Corregedoria da corporação está encarregada de apurar internamente o ocorrido. A abertura de um procedimento administrativo dependerá da documentação enviada pelas autoridades envolvidas na prisão.
Também houve manifestação por parte da empresa Ouro e Prata, responsável pela operação da linha onde se deu o incidente. Segundo a direção da transportadora, o condutor do coletivo agiu em conformidade com o protocolo interno para esse tipo de situação, prevendo ações como o acionamento de autoridade policial.
(Marcello Campos)