Segunda-feira, 01 de junho de 2026

Búfalos no Brasil: entre expansão produtiva e desafios ambientais

Búfalos no Brasil: entre expansão produtiva e desafios ambientais ABCB reforça que caso em Rondônia é específico e não representa a bubalinocultura nacional.

A presença de búfalos na Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia, reacendeu o debate sobre os limites entre produção agropecuária e conservação ambiental. Em nota oficial, a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) foi categórica ao afirmar que o episódio deve ser tratado como um desafio ambiental localizado, sem generalizações que prejudiquem a bubalinocultura brasileira.

“A situação registrada em Rondônia não representa a bubalinocultura brasileira conduzida de forma técnica, produtiva e responsável”, afirmou a ABCB em comunicado. “O tema deve ser tratado como um desafio ambiental específico e localizado, com atuação coordenada dos órgãos competentes”, acrescentou a entidade.

Segundo a associação, os animais que hoje ocupam áreas de preservação têm origem em iniciativas da década de 1950, quando búfalos foram introduzidos no estado para fomentar a produção de carne e leite. Com a descontinuidade dos projetos, parte dos rebanhos passou a se reproduzir sem manejo, sem controle populacional ou sanitário, formando populações não manejadas em áreas que hoje integram unidades de conservação.

A ABCB reconhece que a presença de animais sem controle reprodutivo ou sanitário, independentemente da espécie, pode provocar impactos ambientais e riscos à sanidade. Mas reforça que a bubalinocultura produtiva brasileira segue protocolos técnicos, zootécnicos e de bem-estar animal, com resultados consistentes para a economia rural.

“A ABCB coloca-se à disposição para contribuir tecnicamente com o debate, por meio do compartilhamento de conhecimento sobre manejo de bubalinos e apoio à construção de soluções viáveis, responsáveis e alinhadas ao interesse público”, destacou a nota.

Panorama da bubalinocultura no Brasil

O país possui cerca de 1,4 milhão de búfalos, com crescimento médio anual de 2,37% entre 2016 e 2022. A maior concentração está no Norte, especialmente Pará e Amapá, mas há presença significativa em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

A bubalinocultura regular é marcada por práticas de bem-estar animal, eficiência econômica e manejo sanitário rigoroso. O leite de búfala, com alto teor de sólidos, é base para queijos de alto rendimento como a mozzarella, enquanto a carne é considerada saudável, com menor teor de gordura e colesterol em comparação à bovina. Essa rusticidade e adaptabilidade tornam os búfalos estratégicos em áreas alagadiças e solos de baixa fertilidade, onde bovinos têm menor desempenho.

Reserva Guaporé não é Bubalinocultura

O episódio da Reserva do Guaporé expõe falhas históricas de manejo, mas não deve ser confundido com a bubalinocultura produtiva brasileira. O desafio, segundo a própria entidade, é separar casos isolados da realidade nacional e investir em políticas públicas que consolidem a atividade como vetor de desenvolvimento sustentável, capaz de gerar renda, alimentos de qualidade e equilíbrio ambiental. (por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)

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