Segunda-feira, 27 de abril de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 27 de abril de 2026

O uso de cães de trabalho no sistema prisional do Rio Grande do Sul atingiu um novo patamar em 2026. Em apenas três meses, a Polícia Penal realizou 94 operações com apoio dos canis — superando todo o volume registrado em 2025, quando foram contabilizadas 93 ações ao longo do ano.
Mais do que crescimento numérico, o dado revela uma mudança estrutural: a consolidação da cinotecnia como ferramenta central dentro da estratégia de segurança prisional. O emprego de cães deixou de ser pontual e passou a integrar de forma permanente operações de inspeção, intervenção e apoio tático.
Na distribuição regional, o avanço é evidente. O Canil da 7ª Região Penitenciária participou de sete operações e 12 intervenções prisionais com o Grupo de Intervenção Rápida (GIR). Já na 8ª Região, os cães estiveram em 43 operações, incluindo ações conjuntas com Exército, Brigada Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal de Novo Hamburgo. Na 9ª Região, foram 32 procedimentos operacionais, com destaque para 21 inspeções com cães de detecção, além de operações policiais e intervenções prisionais.
Do ponto de vista técnico, o modelo adotado segue o padrão das principais unidades cinotécnicas: atuação em binômios — dupla formada por condutor e cão — com treinamento contínuo em detecção de substâncias, busca, contenção e intervenção. A cinotecnia envolve seleção comportamental rigorosa, condicionamento e especialização para diferentes funções, como faro de drogas, armas e apoio em operações de risco.
“O crescimento no número de operações com o auxílio dos animais reflete o aumento da confiança institucional no trabalho desenvolvido pelos nossos binômios, a qualificação constante dos nossos condutores e, principalmente, a efetividade do trabalho do canil na prevenção de ilícitos e no reforço da segurança nas unidades prisionais”, afirma Anderson Cardoso.
Segundo ele, a evolução está diretamente ligada à formação técnica. “Seguimos avançando com responsabilidade, técnica e comprometimento, fortalecendo cada vez mais o papel da cinotecnia dentro do sistema prisional”, completa.
Atualmente, a Polícia Penal conta com 26 cães operacionais e 13 policiais penais especializados, distribuídos em sete canis regionais e unidades estratégicas como a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas e o Presídio Estadual de Erechim.
O avanço acompanha a ampliação do uso de cães em forças de segurança no país, especialmente em atividades de detecção e apoio tático, onde a eficiência operacional dos animais tem elevado o padrão de resposta em ambientes de alta complexidade.
No sistema prisional, onde a antecipação de ilícitos é determinante, essa capacidade se torna ainda mais relevante. O faro dos cães permite localizar substâncias e materiais ocultos com rapidez superior a métodos convencionais, reduzindo riscos e ampliando o controle dentro das unidades.
O avanço registrado em 2026 indica mais do que aumento de operações.
Aponta uma mudança de padrão.
Os cães deixaram de atuar como suporte complementar e passaram a integrar o núcleo das estratégias de segurança — reposicionando a cinotecnia como um dos principais ativos operacionais do sistema prisional gaúcho. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)