Sábado, 13 de junho de 2026

Serviço de Triagem Neonatal celebra 25 anos no RS


O Rio Grande do Sul celebrou, no dia 12 de junho, os 25 anos de atuação do Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN-RS), em evento realizado no auditório do CREMERS. A solenidade reuniu profissionais da saúde, gestores públicos, entidades médicas, pacientes e familiares, em um momento de reconhecimento às conquistas e de reflexão sobre os desafios futuros da triagem neonatal no Estado.

Avanços e impacto do Teste do Pezinho

Desde sua criação, em 1999, o SRTN-RS já realizou mais de 2,5 milhões de triagens em recém-nascidos, garantindo diagnóstico precoce para mais de 2,6 mil crianças com doenças raras e congênitas. O impacto é direto: vidas salvas e qualidade de vida assegurada por meio de acompanhamento e tratamento oportunos. A coordenadora do serviço, Vivian Spôde Coutinho, destacou que o sucesso da iniciativa é fruto da atuação integrada entre profissionais, instituições e gestores. Segundo ela, novos avanços estão previstos, com a inclusão da atrofia muscular espinhal e das imunodeficiências primárias no rol de doenças rastreadas.

Reconhecimento ao trabalho coletivo

A endocrinopediatra Cristiane Kopacek, uma das organizadoras da celebração, ressaltou o legado construído por diferentes gerações de profissionais. “São 25 anos de dedicação, pesquisa e trabalho em equipe para garantir que cada criança tenha a oportunidade de receber diagnóstico e tratamento no momento certo”, afirmou.

O secretário municipal de Saúde de Porto Alegre, Fernando Ritter, reforçou a importância das políticas públicas voltadas à infância e destacou o papel do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas como referência na triagem neonatal. “A saúde exige escolhas responsáveis. Não conseguimos fazer tudo, mas precisamos priorizar aquilo que salva vidas”, disse.

Desafios para o futuro

Representando a Sociedade de Pediatria do RS e a Sociedade Brasileira de Pediatria, a médica Rita de Cássia Silveira enfatizou que o diagnóstico precoce só é eficaz quando acompanhado de acesso às terapias adequadas. Ela alertou para a desigualdade existente no Brasil e defendeu a necessidade de garantir sobrevida com qualidade de vida. “Organizar um seguimento que assegure acesso às terapias no tempo certo exige esforço coletivo e compromisso dos gestores”, destacou.

Presenças e homenagens

A cerimônia contou com a participação de autoridades como Claudia Daniel (Secretaria Estadual da Saúde), Eduardo Trindade (vice-presidente do CREMERS), Marcos Slompo (Hospital Materno Infantil Presidente Vargas), Têmis Félix (Hospital de Clínicas de Porto Alegre) e Carolina Fischinger (Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo).

Durante o evento, especialistas abordaram temas como hiperplasia adrenal congênita, fibrose cística, anemia falciforme, hipotireoidismo congênito e fenilcetonúria, reforçando o papel do Rio Grande do Sul como referência nacional. Houve também homenagens a profissionais e instituições que contribuíram para a consolidação do serviço, além da apresentação de pesquisas e perspectivas futuras.

Contexto nacional e relevância econômica

O Teste do Pezinho foi instituído no Brasil em 2001 como política nacional, mas o Rio Grande do Sul já se destacava antes disso, sendo pioneiro na ampliação do número de doenças rastreadas. Atualmente, o exame é oferecido em todo o país pelo SUS, mas a cobertura e a rapidez no diagnóstico ainda variam entre os estados. O modelo gaúcho é considerado referência por combinar rede laboratorial estruturada, acompanhamento clínico especializado e integração com hospitais públicos.

Além do impacto direto na saúde, especialistas lembram que o diagnóstico precoce também gera benefícios econômicos. Ao evitar complicações graves, reduz-se a necessidade de internações prolongadas e tratamentos de alto custo, o que representa economia para o sistema público e para as famílias.

Um marco para a pediatria gaúcha

A celebração dos 25 anos do SRTN-RS reafirma o compromisso do Estado com a saúde infantil e com a ciência. O Teste do Pezinho, símbolo da triagem neonatal, tornou-se uma ferramenta essencial para salvar vidas e reduzir desigualdades. O evento não apenas celebrou o passado, mas também lançou luz sobre o futuro, apontando para a necessidade de ampliar o acesso, fortalecer políticas públicas e investir em inovação científica.

Com uma trajetória marcada por dedicação e resultados concretos, o Serviço de Triagem Neonatal do Rio Grande do Sul consolida-se como um patrimônio da saúde pública, exemplo de como o trabalho coletivo pode transformar vidas desde os primeiros dias de existência. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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