Terça-feira, 28 de julho de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 28 de julho de 2026
Os brasileiros gastaram US$ 12,5 bilhões em viagens internacionais no primeiro semestre de 2026, o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica do Banco Central, iniciada em 1995. O resultado foi impulsionado principalmente pela valorização do real frente ao dólar ao longo do ano, que reduziu o custo das viagens ao exterior e estimulou o consumo de bens e serviços em outros países.
Os dados mostram que o montante desembolsado entre janeiro e junho superou o recorde anterior para um primeiro semestre e manteve a trajetória de crescimento observada desde o início do ano. Apenas no primeiro trimestre, as despesas dos brasileiros no exterior somaram US$ 6,04 bilhões, um avanço de 21,9% em relação aos US$ 4,96 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Na ocasião, o valor já havia ultrapassado o antigo recorde de US$ 5,98 bilhões, registrado em 2013.
Economistas atribuem o desempenho principalmente ao comportamento do câmbio. Em 2026, o dólar acumulou forte desvalorização frente ao real, reduzindo o custo de passagens aéreas, hospedagem, alimentação, compras e demais despesas pagas em moeda estrangeira. A valorização da moeda brasileira aumentou o poder de compra dos turistas e incentivou viagens para destinos como Estados Unidos, Europa, Caribe e países da América do Sul.
Além do câmbio mais favorável, outros fatores contribuíram para o recorde. A ampliação da oferta de voos internacionais, a entrada de novas rotas operadas por companhias aéreas e a recuperação do setor de turismo após a pandemia ampliaram o número de brasileiros viajando ao exterior. O mercado de trabalho mais aquecido e o crescimento da renda também favoreceram o aumento das despesas com lazer, estudos e viagens de negócios.
Os números fazem parte da conta de viagens internacionais do balanço de pagamentos do Banco Central, que registra os gastos de brasileiros no exterior e as despesas de turistas estrangeiros em território nacional. Apesar do crescimento das receitas geradas por visitantes internacionais no Brasil, o país continua registrando déficit nessa conta, já que os brasileiros gastam significativamente mais fora do país do que os estrangeiros desembolsam durante suas viagens ao Brasil. Somente em maio, por exemplo, as despesas líquidas com viagens internacionais chegaram a US$ 1,3 bilhão, com gastos de brasileiros no exterior de US$ 2,1 bilhões e receitas de turistas estrangeiros de US$ 800 milhões.
Especialistas ressaltam que o comportamento do dólar continuará sendo decisivo para o desempenho do turismo internacional ao longo do segundo semestre. Caso a moeda americana permaneça em patamares mais baixos, a tendência é de manutenção da demanda por viagens ao exterior. Por outro lado, uma eventual piora do cenário internacional, mudanças na política monetária dos Estados Unidos ou novas tensões geopolíticas podem provocar alta do dólar e reduzir o ritmo de crescimento dessas despesas.