Domingo, 23 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de agosto de 2026
Integrantes da comunicação de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmaram que não pretendem fazer uma inserção temática sobre os evangélicos na TV. A propaganda eleitoral no rádio e televisão começa na próxima sexta-feira (28) e vai até 1º de outubro.
Apesar de o eleitorado evangélico ser um dos calcanhares de Aquiles de Lula, a equipe do petista quer produzir vídeos que falem de maneira mais sutil com os religiosos e vai tentar permear as propagandas com a visão positiva desse público no imaginário popular.
Algumas das características citadas pela equipe de Lula estão ligadas à imagem de que o evangélico seria “confiável”, “honesto” e “não bebe”. O temor do marqueteiro de Lula, Raul Rabelo, é que um programa voltado diretamente a esse público possa soar “fake”, já que historicamente a esquerda não dialoga bem com os evangélicos.
No lançamento da campanha de Lula em São Bernardo do Campo (SP), porém, houve acenos explícitos aos religiosos, com quem os petistas continuam tentando uma aproximação. A primeira-dama Janja da Silva cantou o jingle gospel “Tapete Vermelho” ao lado do pastor Kleber Lucas.
Pesquisa Quaest desta semana mostra o desafio de Lula junto a esse eleitor. Enquanto entre os católicos o presidente tem 47% ante 27% de Flávio Bolsonaro (PL), no público evangélico o petista tem a preferência de apenas 24% dos religiosos, enquanto o filho de Jair Bolsonaro alcança 43%.
As inserções do PT ainda não estão prontas e devem ser montadas pela equipe da campanha no “calor do momento”, a depender do assunto que estará em alta a cada semana. Nem mesmo o primeiro programa, que vai ao ar na próxima sexta-feira, está definido.
Octagenários
A eleição de 2026 representa um recorde em termos de número de candidatos com 80 anos ou mais em pleitos nacionais desde 2002, de acordo com dados da Justiça Eleitoral. Serão ao menos 99 octogenários disputando votos em todo o Brasil, entre eles o presidente Lula, que concorre à reeleição justamente aos 80.
O pico de candidaturas com mais de 80 anos havia acontecido na eleição passada, com 90 postulantes ao nível federal e estadual. O crescimento é ininterrupto desde 2002, o que pode refletir, além da estratégia de repetição de figuras conhecidas do eleitorado, também a elevação da expectativa de vida da população brasileira.
No grupo de candidatos octogenários aparecem aliados do presidente e candidato à reeleição, como os deputados estaduais Eduardo Suplicy (PT), 85, e Leci Brandão (PCdoB), 81, que tentam novo mandato em São Paulo. Ainda no Estado, o ex-ministro José Dirceu (PT), 80, e o deputado federal Rui Falcão (PT), 82, dois militantes históricos que exerceram o comando do partido, concorrem à Câmara.
Outros que tiveram as candidaturas confirmadas foram Roberto Requião (PDT), 85, para deputado federal no Paraná, Benedita da Silva (PT), 84, que concorre ao Senado pelo Rio de Janeiro, Marcos Cintra (Novo), 80, a deputado federal por São Paulo, e Luciano Bivar (MDB), de 81, suplente de Humberto Costa (PT) no Senado em Pernambuco.
Luiza Erundina (PSOL), 91, candidata agora à Assembleia Legislativa de São Paulo, é uma das carreiras políticas mais longevas do país. Há ainda o ator Jorge Coutinho (DC), 91, e o ex-deputado Almir Rangel (Avante), 92, que concorrem a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Erundina e Rangel já foram às urnas três vezes com mais de 80.
Não há limite de idade para concorrer nas eleições, apenas um piso obrigatório na Constituição, que varia conforme o cargo pretendido. Deputados, por exemplo, precisam ter mais de 21 anos, enquanto governadores devem ter ao menos 30 no momento da posse. Presidentes, vice-presidentes e senadores têm a restrição mais elevada, de 35 anos.
Nessas eleições, o partido que até o momento lidera em número absoluto de octogenários candidatos é o MDB (12), seguido pelo PT (10), PSD (9), PSDB (8) e União (6). (Com informações do jornal O Globo)