Domingo, 23 de agosto de 2026
Por Redação do Jornal O Sul | 23 de agosto de 2026
Ao menos 51 dos 194 candidatos aos governos estaduais nas eleições de 2026 já fizeram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) ou defenderam o impeachment do ministro Alexandre de Moraes nos últimos quatro anos. O levantamento é do Estadão e reúne nomes de diferentes partidos e espectros ideológicos.
O Partido da Causa Operária (PCO) aparece com o maior número de candidatos que adotaram esse tipo de discurso, com 18 nomes. O Partido Liberal (PL), ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, tem dez candidatos na lista.
A oposição ao STF também aparece em partidos como Republicanos, Missão e PSDB, com quatro candidatos cada. O levantamento mostra que as críticas à Corte não estão restritas ao campo bolsonarista, embora sejam frequentes entre candidatos identificados com a direita.
No Rio Grande do Sul, o deputado federal Zucco, candidato pelo PL, criticou o STF após a condenação de Bolsonaro. Em agosto de 2025, afirmou que estava “decretada a ditadura” no País e também defendeu o impeachment de Moraes. Pesquisa Quaest divulgada em 30 de julho mostrou Zucco com 22% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Juliana Brizola (PDT), que tinha 24%.
Em Rondônia, o senador Marcos Rogério (PL) também fez críticas ao Supremo. Em agosto de 2025, afirmou que o Brasil enfrentava uma crise institucional e questionou as penas aplicadas aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. Ele lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo estadual, segundo levantamento do Real Time Big Data divulgado em julho.
Outro nome do PL é o senador Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná. Em fevereiro deste ano, ele defendeu mudanças no STF, incluindo mecanismos de controle sobre a atuação dos ministros e a discussão sobre mandatos. Moro também afirmou que a Corte não teria competência para julgar Bolsonaro.
Entre os demais candidatos do PL que aparecem no levantamento estão Professora Maria do Carmo (AM), Wilder Morais (GO), Wellington Fagundes (MT), Flávio Roscoe (MG), Efraim Filho (PB), Jorginho Mello (SC) e Ricardo Marques (SE).
No Republicanos, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que disputa a reeleição, e o senador Cleitinho Azevedo, candidato ao governo de Minas Gerais, estão entre os principais críticos do STF. Em setembro de 2025, Tarcísio chamou de “tirania” a atuação de Moraes durante um ato bolsonarista em São Paulo.
Cleitinho, por sua vez, afirmou em discurso no Senado que assinaria pedidos de impeachment de ministros do STF e classificou a Corte como uma “ditadura”.
No PSDB, o candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes, também elevou o tom contra o Supremo. Em maio, durante o lançamento de sua pré-candidatura, afirmou que os candidatos ao Senado deveriam atuar para “colocar um freio” no que chamou de “lado apodrecido” da Corte.
No Rio de Janeiro, André Marinho, do Novo, fez críticas a Moraes em 2024, especialmente após decisões envolvendo o X e investigações relacionadas a apoiadores de Bolsonaro.
O PSD também aparece na lista, com o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, entre os nomes que criticaram decisões do Supremo. Em maio, ele questionou a suspensão da aplicação da Lei da Dosimetria e afirmou que o País estaria diante de uma escalada do “autoritarismo judicial”.
O caso do PCO é considerado diferente dos demais por sua oposição histórica ao STF. O partido defende o fim da Corte e a eleição de juízes e procuradores pelo voto popular, com mandatos revogáveis. Em 2022, o ministro Alexandre de Moraes incluiu o partido no inquérito das fake news após manifestações de seus integrantes contra o Supremo.
O levantamento mostra que as críticas ao STF e a Moraes passaram a integrar o discurso eleitoral de candidatos de diferentes partidos. Entre os nomes de direita, o tema aparece principalmente associado à tentativa de conquistar o eleitorado bolsonarista.
(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)