Domingo, 28 de junho de 2026

Canal do Panamá prevê receita acima do esperado com fechamento do Estreito de Ormuz

O Canal do Panamá espera registrar uma receita superior à projeção de US$ 5,2 bilhões para o ano fiscal de 2026, após o fechamento do Estreito de Ormuz levar um número maior de embarcações a utilizar a hidrovia que liga o Mar do Caribe ao Oceano Pacífico.

Futura diretora da Autoridade do Canal do Panamá, Ilya Espino de Marotta afirmou que a receita do ano fiscal encerrado em 30 de setembro deverá ficar “um pouco acima” da estimativa inicial. O resultado será impulsionado pelo aumento do tráfego de navios e pelos valores arrecadados em leilões que permitem às embarcações furar a fila para a travessia.

Em abril, um navio desembolsou US$ 4 milhões adicionais para garantir prioridade na passagem, à medida que o tempo de espera para embarcações sem reserva aumentava.

Os navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) passaram a utilizar o Canal do Panamá em maior número à medida que compradores do Japão, China e Coreia do Sul recorreram a fornecedores dos Estados Unidos para substituir produtores do Oriente Médio, como o Catar, afetados pela guerra no Irã. Também aumentou o fluxo de petroleiros transportando petróleo bruto americano para a Ásia por meio do canal.

No auge do fechamento do Estreito de Ormuz, o Canal do Panamá chegou a operar com 40 a 41 embarcações por dia, acima da média habitual de 34 a 35, afirmou Ilya. Desde então, o movimento diminuiu para cerca de 36 a 38 navios diários. Segundo ela, as reservas de travessia para junho e julho permanecem elevadas, o que deve sustentar o aumento da receita.

Atualmente, o canal recebe, em média, um navio de GNL por dia, à medida que fornecedores dos Estados Unidos continuam exportando para a Ásia mesmo após o acordo que permitiu a reabertura do Estreito de Ormuz.

De acordo com Ilya de Marotta, esse fluxo comercial havia praticamente desaparecido nos últimos anos, quando compradores europeus passaram a absorver a oferta americana após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Expansão

Engenheira panamenha formada pela Texas A&M University, Ilya trabalha no Canal do Panamá há 41 anos. Ela participou da supervisão da ampliação da hidrovia, inaugurada em 2016, e assumiu o cargo de vice-administradora em 2019. Em maio, o conselho do canal a nomeou como a próxima administradora da Autoridade do Canal do Panamá para o período de 2026 a 2033. Ela assumirá o comando da instituição em setembro.

À frente da autoridade, a engenheira será responsável por supervisionar diversos projetos de grande porte, entre eles a construção de uma nova barragem e de um reservatório, dois portos e um gasoduto para transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP), investimentos que, juntos, devem somar cerca de US$ 8,5 bilhões.

“O canal sempre foi uma instituição voltada para o planejamento de longo prazo. Estamos executando um plano estratégico muito ambicioso para os próximos dez anos”, afirmou.

No ano passado, Donald Trump ameaçou retomar o controle do Canal do Panamá, alegando que havia interferência chinesa na administração da hidrovia. Em janeiro, a mais alta corte do Panamá anulou o contrato que concedia à CK Hutchison Holdings, de Hong Kong, a operação de dois portos localizados nas proximidades do canal.

O governo do presidente José Raúl Mulino assumiu o controle dessas instalações e transferiu sua operação provisória para a APM Terminals, divisão da AP Moller-Maersk, e para a Mediterranean Shipping Co. (MSC), com sede na Suíça.

Segundo Ilya, a Autoridade do Canal do Panamá está na fase de pré-qualificação de empresas interessadas na construção do novo reservatório e de seus próprios terminais portuários — distintos daqueles anteriormente operados pela CK Hutchison — e espera iniciar as obras de ambos os projetos no fim de 2027 ou no início de 2028.

Ela acrescentou que a autoridade do canal mantém negociações com o setor de energia para definir os detalhes do gasoduto, incluindo quais tipos de hidrocarbonetos serão transportados. A meta é concluir todos os projetos até 2032.

O financiamento para a construção da barragem já está garantido, e a expectativa é que a Autoridade do Canal recorra aos mercados internacionais e a empréstimos de organismos multilaterais para custear parte dos investimentos nos portos e no gasoduto. (Com informações de O Globo)

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